Preço da carne bovina seguirá em alta, diz CNA

Incremento da demanda externa e melhora do consumo no mercado interno refletem aumento de preços

FABÍOLA SALVADOR, Agencia Estado

26 de junho de 2008 | 13h47

Os preços da carne bovina continuarão em alta, reflexo do incremento da demanda externa e da melhora do consumo no mercado interno. Além disso, os custos da pecuária de corte estão elevados, o que impede a venda de bois para abate a preços mais baixos. O preço do sal mineral, por exemplo, subiu 100% no acumulado deste ano. O produto é usado como suplemento alimentar. As informações são do presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte, Antenor Nogueira, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). "A tendência é de preços firmes. Não podemos vender por valores inferiores ao custo de produção", argumentou. Ele participou hoje, na sede da CNA, da primeira parte do seminário internacional Agri Benchmark Beef Conference. Nogueira lembrou que o preço da arroba dos animais rastreados supera R$ 100 em algumas regiões do País. Para animais que não tenham o sistema de rastreamento, os lotes estão sendo vendidos, em média, a R$ 94 por arroba. Nesse valor e com o dólar nos patamares registrados nas últimas semanas, em dólar, a arroba do boi brasileiro vale quase US$ 60. Historicamente, o preço médio da arroba nas praças paulistas variava entre US$ 20 e US$ 25.O representante dos pecuaristas acredita que a alta dos preços é resultado do abate excessivo de fêmeas, fenômeno que vem sendo verificado nos últimos três anos. "No passado, nós procuramos o governo e defendemos um programa para retenção de matrizes, mas nada foi feito", lembrou. A escassez de animais para abate tem levado alguns frigoríficos a avaliarem a possibilidade de conceder férias coletivas para os funcionários com objetivo de ajustar a oferta com a mão-de-obra instalada nas indústrias.Nogueira lembrou que os preços da carne no mercado internacional também estão em alta. De acordo com ele, os cortes enviados para a Rússia tiveram valorização de 200% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano em relação a igual período de 2007. Os preços dos cortes enviados para Irã e Egito dobraram no ano. Para o presidente do Fórum, a valorização dos preços no mercado internacional pode "acabar" com as barreiras ao produto brasileiro no mercado externo. "Quando dói no bolso ninguém segura", comentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.