Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Preço da carne bovina sobe na UE após embargo ao Brasil

Custo do produto teve alta de até 20% em algumas regiões da Europa, segundo especialista da USP

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

06 de fevereiro de 2008 | 14h22

Os consumidores europeus já sentem no bolso os reflexos do embargo da União Européia (UE) à carne brasileira. Em alguns países do bloco, os preços da carne subiram até 20% como reflexo da suspensão imposta ao produto brasileiro no final do mês passado, segundo Sérgio De Zen, professor da Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). Especialista em pecuária de corte, ele participou nos últimos dias, na Inglaterra, de reuniões com pesquisadores de todo o mundo para discutir questões relativas ao tema. A UE suspendeu as importações porque não concordou com a lista de fazendas elaborada pelo governo brasileiro. O bloco previa o cadastramento de 300 propriedades para fornecimento de animais para os frigoríficos, mas na lista enviada pelo Brasil constavam cerca de 2.800 fazendas. Os certificados de exportações que permitem o embarque para o bloco deixaram de ser emitidos pelo Ministério da Agricultura no dia 1º de fevereiro. O Brasil exportou em janeiro US$ 146 milhões em carnes para os países da UE. Esse volume representou 40% do total das vendas externas do produto. Em 2007, as exportações de carne brasileira para o bloco totalizaram US$ 1,08 bilhão, de acordo com números do governo. Para o pesquisador, os preços da carne continuarão subindo no mercado europeu. "A expectativa é de novas altas. O Brasil é um grande fornecedor e nenhum outro país tem condições e capacidade para ocupar esse espaço no curto prazo", disse De Zen. A oferta de carne produzida por grandes fornecedores mundiais, como Argentina, Estados Unidos e Austrália, não deve aumentar no curto prazo, avaliou. "A Argentina tem dito que o preço dos grãos está elevado e que várias áreas de pastagem das melhores terras argentinas estão sendo convertidas em plantio de soja e milho, deslocando o boi para regiões menos produtivas", afirmou. Para ele, a pressão para o fim do embargo à carne brasileira virá dos consumidores europeus. "Não será possível agüentar essa situação (de aumento de preços) por muito tempo", afirmou. De Zen lembra que o embargo beneficia apenas os produtores irlandeses, que pressionaram por restrições ao produto brasileiro. "A decisão de suspender as compras tem o objetivo de elevar os preços internos e para que alguns países pudessem se manter no mercado sem a necessidade de subsídio", afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:
CarneUnião Européia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.