Preço da celulose sobe em 2010, mas não atingirá pico

A indústria de celulose do Brasil trabalha com um cenário de alta de cerca de 50 por cento no preço médio em dólares do produto este ano em relação à deprimida média de 2009.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

21 Janeiro 2010 | 17h40

A Bracelpa --associação que representa o setor-- abriu 2010 trabalhando com uma perspectiva de preço médio para a matéria-prima do papel de 760 a 780 dólares a tonelada, ante patamar de cerca de 500 dólares em 2009.

"Acho difícil chegar este ano ao máximo que já tivemos, que foi de 839 dólares em 2008", afirmou a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes.

O patamar de preço previsto para 2010 é cerca de 10 por cento superior à média praticada em dezembro, de 700 dólares, e marca continuação do processo de recuperação do setor, que também foi atingido pela crise financeira internacional entre o fim de 2008 e 2009.

No ano passado, o fundo do poço foi 483 dólares a tonelada da celulose, atingido em abril. "Mas houve empresa vendendo a 360 dólares", disse Elizabeth, sem revelar nomes de companhias.

Nesta semana, a portuguesa Altri divulgou que vai aumentar preços em 30 dólares em 1o de fevereiro, para 750 dólares a tonelada.

Além da alta dos preços, a Bracelpa também espera novo crescimento de produção de celulose no país este ano, mas ainda faz as contas. Em 2009, houve alta de seis por cento, para 13,5 milhões de toneladas.

O cenário otimista é baseado no início de retomada do mercado norte-americano, contínua demanda elevada da China e melhora da Europa, afirmou Elizabeth.

A presidente da Bracelpa afirmou ainda que a indústria brasileira de celulose tem como alvo superar a produção de cerca de 19 milhões de toneladas da China.

Com investimentos de cerca de 20 bilhões de dólares previstos para até 2014, a produção de celulose no Brasil deverá alcançar 21 milhões de toneladas entre 2016 e 2017, disse Elizabeth.

MERCADO EXTERNO MELHORA

No último ano, o volume das vendas externas de celulose teve alta de 16,9 por cento, para 8,2 milhões de toneladas.

Elizabeth destacou o desempenho da China, que em 2009 substituiu a Europa como principal compradora em volume da celulose brasileira, com a instalação de três grandes fábricas de papel naquele país, cada uma com capacidade para 1 milhão de toneladas por ano.

Segundo a presidente da Bracelpa, de janeiro a novembro a China comprou 2,285 milhões de toneladas de celulose do Brasil, uma expansão de 103,8 por cento. Enquanto isso, no mesmo intervalo as vendas à Europa foram de 1,55 milhão de toneladas, alta de 72 por cento.

A Bracelpa só vai divulgar suas estimativas precisas para produção de celulose no Brasil em 2010 no final do primeiro trimestre.

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