Preço da cesta básica sobe em 15 capitais

O custo da cesta básica aumentou em 15 das 16 capitais brasileiras em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese). As maiores altas foram verificadas em Fortaleza (10,90%), Aracaju (5,51%), Brasília (5,44%), João Pessoa (4,30%) e Salvador (4,28%). A única capital a registrar retração de preço foi Belo Horizonte, com baixa de 0,27%. O menor reajuste foi verificado em Porto Alegre, com alta de 0,56%, onde o preço para uma cesta com 13 itens é de R$ 164,97, o mais alto do País.Em São Paulo, a cesta básica registrou preço médio de R$ 162,79 em janeiro, um aumento de 25,99% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Segundo a pesquisa, a cesta paulistana é a nona mais cara entre 16 capitais brasileiras onde os preços foram apurados.Dos 13 produtos com preços acompanhados na capital paulista, três apresentaram queda, um ficou estável e os nove demais sofreram aumento. Esses reajustes foram verificados em arroz agulhinha (0,66%), açúcar refinado (0,72%), óleo de soja (1,53%), tomate (3,52%), batata (7,26%), café em pó (7,38%), banana nanica (7,40%), manteiga (8,45%) e feijão carioquinha (12,45%).O leite in natura tipo C manteve seu preço estável, enquanto passaram por retrações o pão francês (-0,41%), a carne bovina de primeira (-0,88%) e a farinha de trigo (-2,78%). Para adquirir a cesta básica, o trabalhador paulistano precisou cumprir, em janeiro, uma jornada de trabalho de 179 horas e 4 minutos. Em dezembro, esse tempo de trabalho era bem inferior: 157 horas e 55 minutos.Os menores valores para a cesta foram verificados em João Pessoa (R$ 125,97), Recife (R$ 126,62) e Natal (R$ 129,28). Um ponto curioso apontado pela pesquisa é o de que o maior reajuste da cesta básica no período entre fevereiro de 2002 e janeiro de 2003 foi em Salvador, com alta de 32,14. A capital baiana, conforme as recentes pesquisas de emprego e desemprego do Dieese em parceria com a Fundação Seade, tem se posicionado como a capital brasileira com o maior contingente de desempregados, próximo a 30% da População Economicamente Ativa (PEA). Ali, o preço da cesta ficou em R$ 132,43 nesse último levantamento.Com base no maior custo de cesta básica do País e tendo como referência o "preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria ser suficiente para a manutenção de uma família, suprindo suas necessidades com alimentação, moradia, saúde, educação, transportes, higiene, vestuário, lazer e previdência", o Dieese estima que o valor do salário mínimo deveria ser de R$ 1.385,91, em janeiro.A pesquisa informa ainda que o trabalhador brasileiro precisou cumprir uma jornada média nas 16 capitais de 157 horas e 54 minutos para poder adquirir os gêneros de primeira necessidade. Em dezembro, essa carga horária era de 153 horas e 13 minutos e, em janeiro do ano passado, era de 141 horas e 38 minutos.Farinha de trigoA pesquisa mostrou comportamento heterogêneo na oscilação do preço da farinha de trigo em nove capitais do Centro Sul do País. Em sete cidades, o produto apresentou retração de preços, variando de 1,05%, no Rio de Janeiro, até 3,26%, em Belo Horizonte. Por outro lado, Curitiba apresentou reajuste de preço de 21,67% nesse item, enquanto Brasília teve elevação de 4,35%.As oscilações de preço da farinha não foram refletidas no preço do pão. "Apenas quatro localidades registraram pequenas retrações: Natal (-2,54%), Recife (-1,06%), Belo Horizonte (-0,43%) e São Paulo (-0,41%)", informa a pesquisa. Goiânia e Florianópolis tiveram estabilidade, enquanto nas outras capitais houve alta, com as mais expressivas sendo verificadas em Fortaleza (16,58%) e Aracaju (12,03%).A carne bovina teve queda de preço na metade das capitais pesquisadas, com as principais retrações em João Pessoa (6,53%) e Belo Horizonte (6,44%). As maiores altas foram registradas em Aracaju (8,17%) e Salvador (2,17%). O leite também passou por reajustes em 14 capitais, com os aumentos mais elevados em Natal (12,90%) e João Pessoa (7,14%). Em São Paulo, o preço se manteve estável, ao passo que Aracaju registrou redução de 0,86%.A pesquisa do Dieese destaca ainda o comportamento diferenciado verificado no preço do feijão, com variação conforme o tipo do produto. "Das seis localidades onde o feijão preto é pesquisado, três tiveram pequenas reduções, a mais expressiva em Curitiba (-1,09%), e a maior alta ocorreu em Brasília (7,20%). Nas outras dez cidades, o preço do produto subiu, com destaque para a alta apurada em Fortaleza (15,63%) e Recife (14,24%)", informa o estudo.Já o arroz confirmou tendência de barateamento com a entrada de uma nova safra. De seis cidades onde houve queda de preço, Recife (-2,29%) e João Pessoa (-2,08%) mereceram destaque.

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