Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Preço da gasolina seguirá padrão internacional

Segundo o presidente da Petrobrás, estatalainda estuda metodologia para mudar preços

Antonio Pita, Fernanda Nunes, Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2016 | 23h29

RIO - A Petrobrás mudou o tom do discurso sobre reajuste de combustíveis ao sinalizar que ainda estuda uma metodologia para a formação de preços de gasolina e diesel no País. O presidente da estatal, Pedro Parente, informou que a política, “quando aprovada”, deverá permitir a flutuação de preços de acordo com a cotação internacional do petróleo. Ele enfatizou que não há “decisão tomada” sobre reajuste, apenas sinalizou que os preços poderiam “tanto subir quanto cair”.

A definição dos critérios da metodologia, entretanto, não tem prazo. “Estamos definindo exatamente qual será a nossa política, mas é importante registrar que essa política tem como base a paridade internacional”, enfatizou. “A ação da empresa, quando a política estiver aprovada, tanto pode definir reduções quanto aumentos.”

A incerteza em torno da política de preços da estatal já havia sido criticada após a divulgação do plano de negócios, na terça-feira. A notícia de que a companhia havia decidido baixar os preços até dezembro despertou o ceticismo do mercado e afetou as ações. Após a sinalização de Parente, entretanto, os papéis fecharam em alta de 1,19% (PN) e 1,93% (ON).

A Petrobrás tem praticado preços de gasolina e diesel entre 20% e 40% acima do mercado internacional, como forma de engordar seu caixa. A decisão, entretanto, afeta a posição de mercado da BR Distribuidora, que perde espaço para concorrentes com preços mais acessíveis. A opção afeta, também, a inflação e as projeções macroeconômicas do País.

Em Nova York, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, comentou o tema, frisando a “autonomia” da empresa. “A Petrobrás precisa ser capaz de definir seus preços de acordo com as condições da companhia, dos custos e do mercado.”

Parente disse que, além da receita, entram no cálculo de preços as margens e o market share (participação de mercado). “A combinação desses fatores é que instrumentaliza o processo de decisão que quando estiver maduro vai ser informado”, afirmou em evento com empresários da cadeia produtiva de óleo e gás, no Rio.

Ao Broadcast, sistema de informação em tempo real do Grupo Estado, o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino, afirmou que as análises de preços ocorrem semanalmente em reuniões de diretoria e que, nesta semana, o consenso foi pela manutenção. Segundo ele, a cada semana, haverá reavaliação. / COLABORARAM ALTAMIRO SILVA JUNIOR E CLAUDIA TREVISAN

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