Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Preço das passagens aéreas cai 20% em maio

Estimativa da Abear reflete promoções feitas na tentativa de compensar perda de passageiros corporativos com clientes que viajam a lazer

Luciana Collet , O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2015 | 02h04

Com a demanda fraca e os aviões mais vazios, as empresas aéreas brasileiras estão reduzindo o preço das passagens neste ano. De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), os bilhetes vendidos em maio deste ano custaram cerca de 20% menos do que o valor registrado no mesmo período do ano passado. A queda de preços levou a um aumento de 3,27% no número de passageiros transportados em maio, que subiu para 7,862 milhões.

A queda de preços reflete a onda de promoções promovida pelas companhias aéreas, especialmente durante os fins de semana, na tentativa de atrair os passageiros que viajam a lazer e estão em busca de barganhas. As empresas aéreas vêm tentando substituir, no curto prazo, o passageiro corporativo pelo de lazer. Com a crise econômica, a demanda de passagens aéreas pelas empresas chegou a cair 30% nos últimos meses em setores como óleo e gás e construção civil, segundo fontes do setor aéreo.

"Somando essa queda de preço ao cenário, este mês de maio comprovou a nossa percepção nos meses anteriores, de piora do cenário setorial", disse o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz. O setor vem sofrendo um choque de custos, pressionado especialmente pela valorização do dólar - cerca de 60% dos custos do setor são dolarizados. Em maio, a moeda americana acumulava alta de 42% em 12 meses.

Segundo o consultor técnico da Abear, Maurício Emboaba, as empresas deverão apresentar uma menor rentabilidade no período, refletindo a queda de preços sem um alívio na mesma proporção dos custos.

A demanda por passagens aéreas nos voos nacionais cresceu apenas 1,03% em maio deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Abear que consideram as operações de Gol, TAM, Azul e Avianca. Trata-se da menor expansão em um mês desde julho de 2014. A Gol voltou à liderança, com 36,87% do mercado, superando a TAM, com 36,46%, seguidas por Azul (17,15%) e Avianca (9,52%).

Como as empresas aumentaram a oferta em 1,5% em maio, acima da expansão da demanda, a taxa de ocupação das aeronaves nos voos nacionais caiu 0,4 ponto porcentual, para 78,21%. Emboaba destacou, no entanto, que a taxa de ocupação se manteve perto da casa de 80%, mostrando um amadurecimento da indústria. Até 2012, o setor voava com mais de 30% dos assentos vazios.

O presidente da Abear salientou, porém, que para este ano prevê estabilidade na demanda.

Ajuste fiscal. Segundo ele, os custos das empresas aéreas podem subir ainda mais com o ajuste fiscal promovido pelo governo. As empresas s deverão ter custos adicionais de R$ 200 milhões por ano com o fim do benefício de desoneração da folha de pagamento, aprovado anteontem na Câmara. A conta considera a alíquota de 1,5% sobre o faturamento das empresas do setor de transporte. / Colaborou Marina Gazzoni

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