Preço de açúcar sobe com seca no Brasil

Preço de açúcar sobe com seca no Brasil

Segundo a FAO, cotação internacional teve uma das maiores altas mensais dos últimos 5 anos por causa da queda de produção no País

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2014 | 02h04

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) alerta que a seca em partes do território brasileiro faz com que o preço internacional do açúcar sofra uma das maiores altas mensais dos últimos cinco anos.

Dados divulgados ontem pela entidade comandada pelo brasileiro José Graziano da Silva apontam que os preços de alimentos no mundo, porém, estão em seu nível mais baixo desde agosto de 2010. Em outubro, eles registraram o sétimo mês de queda seguida. A redução só não foi maior por causa do setor do açúcar que, de certa forma, neutralizou parte da queda geral e principalmente no setor do leite e de carnes.

O índice geral de preços da FAO caiu para 192,3 pontos, 0,2 ponto abaixo dos níveis de setembro. É o menor nível em mais de quatro anos, tendência gerada por uma redução na demanda na China e estoques cheios em países exportadores.

No setor do açúcar, porém, a seca no Brasil modificou de forma importante o mercado mundial. Em outubro, o índice subiu para 237,6 pontos, uma alta de 4,2% em um mês. "Isso ocorreu em grande parte por causa da seca em partes do Brasil", indicou a FAO. "O fato levou a relatos de que a colheita de cana será menor que o esperado", afirmou a entidade da ONU.

Como maior produtor e maior exportador do mundo de açúcar, o Brasil tem um impacto direto no mercado internacional. Mas, mesmo com a alta, o preço do açúcar continua mais de 10% abaixo dos níveis de outubro de 2013.

Leite e carnes. Outros setores vivem uma situação diferente. Os preços do leite, por exemplo, tiveram uma queda de 1,9% e em parte por causa do embargo russo contra produtos europeus. Em um ano, o setor sofreu uma redução de 26% em seus preços.

No caso das carnes, ela sofreu uma queda de 1,1% nos preços internacionais em outubro, em comparação a setembro. Mas ainda continua 10% acima dos valores de outubro de 2013.

O índice dos preços de óleos vegetais também subiu pela primeira vez desde março, com alta de 1% e ainda está 12,9% abaixo das taxas de 2013. Mas o óleo de soja registrou uma queda diante das boas perspectivas da safra americana.

Cereais. No setor de cereais, a FAO aponta para uma estabilização nos preços em outubro. Mas os valores são 9,3% inferiores ao que se registrava no mesmo período de 2013.

A projeção de safra para 2014 foi revista para baixo, com uma redução de cerca de 1 milhão de toneladas. No total, serão produzidos 2,5 milhões de toneladas no ano, 3,7 milhões abaixo do recorde de 2013.

Parte da redução é explicada pelo corte na produção de milho na China. Já a produção de trigo em 2014 baterá um novo recorde, com 722,6 milhões de toneladas.

Para 2014, a FAO projeta estoques de 624,7 milhões de toneladas de cereais, o maior volume em 15 anos.

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