Preço de carro sobe depois de negócio fechado

Revenda tenta cobrar 'extra' de economista para entregar veículo pago à vista na semana passada

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h06

O economista José Roberto Rodrigues Afonso ficou surpreso ao descobrir que não receberia o carro comprado na semana passada na concessionária Joavi Motors, da montadora sul-coreana Hyundai, em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Afonso pagou com cheque o valor de R$ 114,5 mil por um Santa Fé modelo 2012, mas na quarta-feira recebeu uma ligação do vendedor informando que a loja não tinha mais o automóvel e o economista teria de desembolsar um valor adicional para adquirir o carro.

A compra do veículo, que segundo Afonso, já havia sido importado e poderia ser entregue em até 12 dias, foi cancelada. "O vendedor informou que não teria mais o carro, porém poderia trazer de outra concessionária, desde que eu pagasse R$ 1 mil. Pedi que formalizassem a proposta por e-mail, mas a diferença já aumentou em R$ 3,4 mil."

O cliente recebeu o e-mail com a informação de que os preços haviam sido alterados de acordo com a nova alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e que o valor para o mesmo carro seria de R$ 117,9 mil com entrega prevista em dez dias úteis. Segundo Afonso, apenas no segundo e-mail, quatro dias após a compra, é que ele foi avisado que pelo contrato não havia comprado o carro, mas apenas feito uma encomenda. "Disseram que a Hyundai se reserva o direito de aumentar o preço e entregar só o que tem em estoque."

No fim da tarde de ontem, a loja voltou atrás e assegurou que vai vender o carro pelo preço acertado anteriormente. "O e-mail enviado foi um equívoco", disse o gerente da Joavi Motors, Carlos Carneiro. Ele afirmou ainda que a loja não está repassando o aumento do IPI para os carros em estoque, apesar do e-mail enviado ao cliente.

O economista já havia aberto um processo na central de atendimento da Hyundai e contou que está receoso em aceitar a nova proposta. "Eu vou aguardar a posição da Hyundai antes de confirmar a compra." Afonso destacou que a loja ainda não descontou seu cheque.

O Estado entrou em contato com assessoria da Hyundai Caoa que se dispôs a checar o caso, mas, até o fechamento da edição, não houve retorno.

O caso de Afonso vai na contramão da decisão das montadoras de não repassar aos consumidores o aumento do IPI para compras de automóveis em estoque. Apenas a marca alemã Audi anunciou o repasse gradativo do aumento.

A alíquota do IPI teve um aumento de 30 pontos porcentuais para carros importados. A regra não vale apenas para países do Mercosul e do México, regiões que tem acordo de livre comércio com o Brasil.

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