Preço de imóveis anunciados fica abaixo da inflação em 2014

De acordo com o índice FipeZap, a alta das cotações foi inferior à inflação observada em 8 das 16 cidades brasileiras pesquisadas

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2014 | 05h00

Neste ano, o preço médio anunciado dos imóveis, sobretudo usados, está subindo abaixo da inflação oficial. Segundo o Índice FipeZap Ampliado, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), de janeiro a maio, houve queda real de preços em metade das 16 cidades pesquisadas. Na média, a alta acumulada no ano é de 2,98%. Se descontada a inflação (IPCA) prevista para o período, no entanto, houve queda de 0,34% nos preços.

Em maio, o preço médio do metro quadrado nas 16 cidades contempladas pelo índice repetiu a alta do mês anterior e ficou em 0,49% - acima da inflação prevista para o mês segundo o boletim Focus, do Banco Central, de 0,45%. No entanto, foi a sexta vez seguida que o indicador apresentou desaceleração na variação anual - a alta foi de 11,7% em comparação a maio de 2013.

“Apesar de alguma volatilidade na inflação e no mercado no mês a mês, no acumulado do ano os imóveis perdem para a inflação e a variação em 12 meses também aponta desaceleração”, diz o coordenador FipeZap, Eduardo Zylberstajn. “Isso tudo continua sendo um sinal de que vivemos um momento no mercado imobiliário bem diferente do que víamos até o ano passado.”

Fortaleza lidera o aumento de preços em 2014, com alta nominal de 5,20%, seguida pelo Rio de Janeiro, com 4,74%. Já Porto Alegre e Brasília apresentam as maiores quedas, com recuo de 1,33% e 0,42%, respectivamente.

Em São Paulo, o preço médio do metro quadrado subiu 0,71% em maio. No acumulado do ano, a alta na capital paulista foi de 3,59%. Já as cidades vizinhas do ABC, Santo André e São Bernardo do Campo, tiveram queda nominal nos preços no mês passado - o primeiro recuo desde que a região passou a ser monitorada pelo Índice FipeZap, em 2012.

Correção natural. Zylberstajn aponta que, depois do boom de preços dos últimos anos, o ajuste no mercado imobiliário era “natural de se esperar”, motivado por fatores como demanda mais tímida, desaceleração no crescimento e até mesmo queda de confiança no mercado. “Podemos especular muitos motivos, mas a questão é que a escalada de preços nos últimos anos não era algo comum. Era natural esperar que esse momento fosse acabar, e está ficando cada vez mais claro que ele já passou”, diz.

Em algumas cidades, explica ele, a queda de preços se deu por um aumento substancial na oferta, como em Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte. “Em outras capitais, esse excesso de oferta não foi tão exacerbado, mas a demanda não teve a força que já teve, seja porque o mercado de trabalho teve queda no ritmo, seja porque a oferta de crédito não é mais a mesma vista até o ano passado.”

No recorte detalhado por cidade, o metro quadrado mais caro do Rio aparece no Leblon (R$ 22.436), e o mais barato em Pavuna (R$ 2.224). Já em São Paulo, o preço mais salgado está em Vila Nova Conceição (R$ 13.871), e o mais baixo, em Cidade Tiradentes (R$ 2.478). Nas 16 cidades pesquisadas, a média do metro quadrado em maio foi de R$ 7.494.

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