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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Preço de motos deve cair 3%

Vendas caíram 43% no primeiro bimestre

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2009 | 00h00

A partir de amanhã, os preços das motocicletas com até 150 cilindradas, que respondem por 85% das vendas do segmento, terão queda de 3%, segundo cálculo das fabricantes. Para os automóveis novos, que terão prorrogada a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os preços permanecerão entre 5% e 7% mais baixos na comparação com as tabelas sugeridas pelas montadoras.No caso das motos, a queda será possível com a redução a zero da alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que é de 3%. A medida terá validade até 30 de junho, prazo também válido para a extensão do corte do IPI dos veículos.Segundo o diretor da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), Moacyr Paes, em janeiro e fevereiro as vendas de motos caíram 43% em relação ao mesmo período de 2008, para 189,1 mil unidades. As fábricas empregam 18 mil trabalhadores, a maioria na Zona Franca de Manaus (AM) e aceitaram acordo de manutenção de empregos durante a vigência da medida.O mesmo compromisso foi aceito pelas montadoras de veículos que hoje empregam cerca de 123 mil funcionários, 4 mil a menos do que em dezembro, incluindo as fábricas de tratores. Na primeira etapa da redução do IPI (entre 20 dezembro e hoje), não havia acordo relativo a empregos.As montadoras, contudo, podem abrir programas de demissão voluntária (PDV) e não renovar acordos temporários que vencerem nesse período. Só a General Motors tem mais de mil contratos que se encerram até o fim de abril.O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, afirmou que a prorrogação do IPI terá grande impacto nas vendas internas de automóveis, que devem encerrar o semestre com volumes próximos ao da primeira metade de 2008 - a exemplo do que ocorre nesse primeiro trimestre. Ressaltou, porém, que as vendas de caminhões caíram 17% neste ano e as exportações despencaram.Até sexta-feira, as montadoras venderam 635,2 mil veículos, ante 633,7 mil nos primeiros três meses do ano passado. O setor deve encerrar março com vendas acumuladas de 660 mil unidades, o que representará alta de mais de 1% ante 2008. Segundo Schneider, sem a redução do IPI na mesma comparação as vendas cairiam 30%.De acordo com Schneider, a arrecadação do governo com o IPI foi reduzida em R$ 559,2 milhões com a primeira fase da redução das alíquotas, queda esta compensada pelo aumento de arrecadação de PIS/Cofins, IOF, ICMS e IPVA. Cálculos da Anfavea mostram mais de 100 mil veículos foram vendidos entre janeiro e março por causa do subsídio tributário. Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, a inclusão da manutenção de empregos no acordo "foi a primeira batalha vencida pelos trabalhadores, pois até agora o governo distribuiu dinheiro sem pedir garantias." Ele acredita que as empresas de autopeças, ainda que não citadas no acerto, não vão cortar vagas se tiverem encomendas das montadoras.O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, afirmou que o primeiro período do corte do IPI "foi importante para ajudar a recuperar perdas do fim de 2008". Para essa segunda etapa, ele espera manter os patamares de vendas dos últimos meses. A Volks tem convocado trabalhadores das fábricas do ABC e de Taubaté para horas extras aos sábados.Rogelio Golfarb, diretor da Ford, admitiu que houve antecipação de compras em março por parte de consumidores que temiam o fim do benefício, por isso ele acredita que abril possa ser um mês mais fraco de vendas, mas aposta que maio e junho serão melhores. A Ford abriu PDV para os funcionários das três fábricas do grupo alegando queda nas exportações. O segmento de carros usados, que ficou de fora do pacote, "foi discriminado", lamentou o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de São Paulo (Assovesp), George Chahade. FrasesMoacyr PaesDiretor da Abraciclo"Em janeiro e fevereiro as vendas de motos caíram 43% em relação ao mesmo período de 2008"Jackson SchneiderPresidente da Anfavea"A medida terá grande impacto nas vendas internas de veículos, que devem encerrar o semestre com volumes próximos aos da primeira metade de 2008"Paulo Pereira da SilvaPres. da Força Sindical "Foi a primeira batalha vencida pelos trabalhadores pois até agora o governo distribuiu dinheiro sem pedir garantias"Thomas SchmallPresidente da Volks"O primeiro período do corte do IPI foi importante para ajudar a recuperar perdas do fim de 2008"

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