Christophe Viseux para o New York Times
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Petróleo fecha em nova queda histórica; WTI recua 43%

Commodity amplia perdas diante da forte crise que golpeia o setor, repercutindo pânico com redução na demanda e possibilidade de estoques lotados

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 17h03
Atualizado 21 de abril de 2020 | 19h21

Em mais uma sessão de derretimento dos preços, o petróleo fechou esta terça-feira, 21, em forte queda no mercado internacional. Causada pelo descompasso entre oferta e demanda em meio à pandemia de coronavírus e pela iminência de lotação dos estoques da commodity nos Estados Unidos, a crise no setor pressionou com força os contratos no exterior.

Entre os contratos mais líquidos, na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho fechou em queda de 43,36%, a US$ 11,57, após ter sido negociado, ao longo do dia, abaixo da marca dos US$ 8. Na Internacional Exchange (ICE), o petróleo Brent para o mesmo mês encerrou a sessão em queda de 24,4%, a US$ 19,33 o barril, menor valor desde 2002. Já o contrato do petróleo WTI para maio, que venceu hoje e ontem foi cotado no terreno negativo, fechou em alta de 126,8%, a US$ 10,01 o barril.

Além da iminente queda drástica na demanda, decorrente da retração na atividade global por conta da pandemia de coronavírus, o vencimento do contrato WTI para maio seguiu o movimento de ontem e pressionou com força os demais contratos. Isso porque negociadores da commodity quiseram evitar ao máximo receber a entrega física do óleo, extremamente cara no atual cenário de pouco espaço para armazenamento. Hoje, o banco Morgan Stanley estimou que os estoques em Cushing, principal centro de estocagem nos EUA, podem chegar ao limite de capacidade até junho.

Para reverter a situação, operadores esperam anúncio por um corte de produção no estado americano do Texas a qualquer momento. Entre outras notícias do setor, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje em seu Twitter que tem a intenção de estabelecer um plano para disponibilizar fundos à indústria americana de petróleo e gás.

Ainda assim, de acordo com analistas, o mercado de petróleo tem capacidade de se estabilizar a longo prazo. "Os atuais preços do petróleo forçarão os produtores a continuarem reduzindo a produção. Mas, à medida em que a demanda se recuperar - pelo menos parcialmente -, quando os bloqueios [para conter a Covid-19] forem reduzidos, o aumento de estoques deve cessar", defende o Danske Bank.

Perspectiva

Para Edmar Almeira, professor do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisador do Instituto de Energia da PUC (Iepuc), o mercado futuro deve conviver por mais quatro meses com a desvalorização da commodity e, até mesmo, com a negociação de novos contratos a preços negativos.

“Os EUA são a vítima da crise que provocaram, ao reduzir os custos de produção e encher o mercado de petróleo, gerando um desequilíbrio entre oferta e demanda”, diz ele, acrescentando que a única solução é fechar poços produtores. 

A visão do economista e coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás (Ineep), Rodrigo Leão, é de que a China também contribui com a queda abrupta da cotação do petróleo e que não deve ajudar na recuperação tão cedo. O especialista argumenta que o país asiático aumentou a importação no mês passado para ampliar seu estoque e a expectativa é que não volte às compras no mês que vem.

Além do excesso de estoque, os especialistas dizem que a queda de preços nos EUA também reflete outro fator: a avaliação de que o acordo anunciado há cerca de duas semanas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) - para cortar a produção em 9,7 milhões de barris por dia - foi insuficiente para elevar os preços da commodity. 

Visto inicialmente como positivo, o corte equivale a 10% da oferta global. A própria Opep admite que a demanda pelo produto deve cair em 6,8 milhões de barris por dia até o fim do ano.

 

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