Preço de químico importado dispara

Produto subiu 11,59% no semestre, três vezes mais que o nacional, por causa da recuperação dos EUA e do fim da Guerra dos Portos

Cley Scholz, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2013 | 02h11

Os preços dos produtos químicos importados subiram três vezes mais que os dos similares nacionais nos últimos seis meses. Dois motivos explicam a tendência: a recuperação da economia dos Estados Unidos e o fim da Guerra dos Portos, que eliminou os incentivos aos importadores.

Segundo balanço da indústria química nacional, os produtos importados tiveram reajuste de 11,59% em reais no semestre, enquanto os produtos nacionais subiram 4,32%.

"A melhora da economia americana e o fim de subsídios da Guerra dos Portos estão mudando o mercado", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo.

O setor encerrou o primeiro semestre com um déficit recorde de US$ 14,9 bilhões, 13,4% superior ao do primeiro semestre do ano passado. Enquanto as importações aumentaram 13,4% de janeiro a junho, as exportações caíram 5,1%. O Brasil importou US$ 22 bilhões em produtos químicos no semestre e só conseguiu exportar US$ 7 bilhões.

Um dos fatores que pesaram no déficit recorde da balança setorial foi o aumento das importações de fertilizantes. "Esse é o lado bom da balança, pois significa que o agronegócio está crescendo no Brasil", comenta o presidente da Abiquim.

"O lado ruim é que o Brasil continua dependente de fertilizantes importados, embora tenhamos muitos projetos governamentais para ampliar a produção", acrescenta.

Câmbio. Mas o presidente da Abiquim vê sinais positivos no mercado. O primeiro deles é o câmbio, que ficou mais favorável aos exportadores brasileiros com o dólar cotado atualmente em R$ 2,26. "A desvalorização do real ante o dólar ajuda a compensar o dumping dos produtos chineses", afirma o presidente da Abiquim. "A cotação ideal, para nós, seria de R$ 2,40."

Outro fator positivo é a recente desoneração do PIS e da Cofins dos produtos químicos de primeira e segunda geração, já em vigor.

"O grande problema do setor químico é a falta de competitividade da indústria brasileira em relação aos competidores externos", resume Figueiredo.

Um fator que preocupa a indústria nacional é o barateamento do gás natural nos Estados Unidos, decorrente da exploração do gás de xisto, que está revolucionando o mercado mundial.

O gás mais barato nos Estados Unidos deixa os americanos mais competitivos em matérias-primas que utilizam o gás como componente básico, como o metanol, o negro de fumo (usado na fabricação de pneus), a amônia e a ureia.

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