Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Preço de serviço bancário sobe até 25%, segundo Procon

Levantamento avaliou serviço atrelado às contas-correntes, como saques, extratos e transferências

Jéssica Alves, O Estado de S. Paulo

05 Julho 2018 | 05h00

Os valores cobrados pelos bancos pelos principais serviços ficaram mais salgados para o consumidor no último ano. Segundo levantamento realizado pelo Procon-SP, as instituições financeiras reajustaram em até 25% o preço cobrado pelos serviços atrelados às contas-correntes, como saques, extratos e transferências entre contas do mesmo banco. A alta é pelo menos cinco vezes superior à inflação oficial do período, que ficou em 4,39%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

O levantamento foi divulgado semana passada e contou com dados de seis instituições: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Safra e Santander. Os dados foram coletados nos sites dos próprios bancos entre os dias 6 de junho de 2017 e 6 de junho de 2018.

O maior reajuste foi encontrado no preço cobrado pela Caixa para o serviço de extrato mensal da conta-corrente, que subiu de R$ 2 para R$ 2,50, alta de 25%. No mesmo banco, a emissão de folhas de cheques também ficou 14% mais cara no mesmo período.

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Todos os clientes com conta bancária têm direito assegurado pelo Banco Central (BC) sem custo, a cada mês, a dez folhas de cheque, quatro saques, dois extratos dos últimos 30 dias e duas transferências entre contas da própria instituição, sem pagar nenhuma tarifa. 

Na prática, os preços unitários auferidos pelo Procon-SP poderão ser desembolsados pelo consumidor, por exemplo, se ele extrapolar o pacote essencial ou ultrapassar o limite de serviços da cesta contratada. 

Outra pesquisa, publicada ontem na coluna de Celso Ming, corrobora essa escalada nos preços bancários. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) apontou que, na média, o correntista de banco pagou em junho de 2018, 14,16% a mais pelos pacotes de serviços financeiros do que em novembro de 2016. Como comparação, a inflação do período foi de 5,8%.

A supervisora de pesquisas do Procon-SP, Cristina Martinussi conta que os bancos justificam as altas na tarifas devido aos custos operacionais. “Mas eles não deixam claro como é feita a composição das tarifas. São os juros (cobrados pelas linhas de financiamento) que cobrem os custos operacionais”, afirma.

Para Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, uma das explicações para o aumento dos preços é a falta de concorrência. “O setor é muito concentrado e, infelizmente, os bancos sabem que o consumidor não tem para onde correr.”

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Em nota, o Banco do Brasil disse que os preços dos pacotes de serviços são definidos com base em outros fatores além da inflação, tais como custos das transações que integram as franquias e investimentos em tecnologia. O Santander afirmou que os preços e reajustes das tarifas dos pacotes seguem critérios de avaliação que consideram, entre outros fatores, movimentos do mercado e inflação de cada período. Procurados, Caixa, Bradesco e Itaú não se pronunciaram.

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