Preço do álcool cai nas usinas, mas não nos postos

Queda dos preços nas usinas ocorreu devido aos estoques formados em novembro pelas distribuidoras

Chico Siqueira, da Agência Estado,

14 de janeiro de 2008 | 19h28

Pela quinta semana consecutiva, e em plena entressafra, o preço do álcool hidratado cai nas usinas do Estado de São Paulo, maior produtor do País. No entanto, a queda, que chega a 5,5%, não foi sentida e pode demorar a chegar aos postos de combustíveis. Segundo indicador semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), o litro do álcool hidratado, usado para abastecer os carros nas bombas, era vendido a R$ 0,75356 em 14 de dezembro e chegou a R$ 0,71187 em 11 de janeiro, uma queda de 5,5%. Somente na última semana, o preço caiu 2,8%, de R$ 0,7306 em 4 de janeiro para R$ 0,71187 no dia 11. Com isso, o álcool chega ao menor valor nominal para o mês de janeiro dos últimos quatro anos. Só em janeiro de 2004, quando chegou a R$ 0,50920, o preço esteve tão baixo. Apesar da queda, o preço do álcool combustível não caiu nos postos de combustíveis do Estado, segundo as pesquisas feitas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Nas últimas quatro semanas, de acordo com a ANP o preço médio do álcool foi de R$ 1,30 nos postos. Estoques Segundo a pesquisadora Marta Cristina Maistro, do Cepea, a queda dos preços nas usinas ocorreu devido aos estoques formados em novembro pelas distribuidoras para o final de ano. "Entre outubro e novembro, o preço do álcool acumulou um reajuste de 22%, saltando de R$ 0,58548 em outubro para R$ 0,71609 em novembro. Como não foram feitas grandes compras em novembro, a alta foi perdendo força", explicou. As férias, que retiram grande quantidade de carros das ruas e a pressão menor de oferta em plena entressafra foram alguns dos motivos da queda apontados por ela. Para a pesquisadora, essa queda não é sentida rapidamente nos postos devido à configuração dos custos das distribuidoras a uma defasagem natural que existe até que haja nova reposição de estoque por parte dos postos de combustíveis. "É possível que o repasse demore um pouco e o consumidor só vai se beneficiar desta queda lá na frente", diz.

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