Preço do álcool na produção cai, mas não chega ao consumidor

A redução do preço do álcool que vem sendo verificada na produção não está chegando até o consumidor final. Segundo denunciou a Federação Nacional dos Revendedores de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), o preço da gasolina (que leva 20% de álcool anidro em sua composição), poderia estar pelo menos R$ 0,06 mais barato se a redução estivesse sendo repassada pelas distribuidoras.De acordo com os dados apurados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), nas últimas quatro semanas, entretanto, o preço da gasolina na capital paulista caiu apenas R$ 0,01, enquanto no Rio, a média permanece intacta.Com a entrada da safra de cana-de-açúcar no mês de março, os preços do álcool pagos ao produtor vêm caindo consecutivamente há oito semanas. O hidratado (que abastece diretamente o tanque do veículo) teve seu preço reduzido em 27% e no caso do anidro (que é adicionado à gasolina)a queda foi de 14,6%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, que faz o levantamento semanal junto ao setor produtivo.Para o Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), a demora é natural já que as empresas formaram estoques antecipados para evitar o risco de desabastecimento. "Atendendo a um pedido do governo para evitar sobressaltos no decorrer do mês de março e abril, quando a safra tivesse início, as distribuidoras anteciparam suas compras", explicou Alísio Vaz, vice-presidente do Sindicato.Para o presidente da Fecombustíveis, Gil Siuffo, a expectativa é de que tanto o valor da gasolina, quanto o do álcool caia nos próximos meses, com a intensificação na moagem de cana. O Sindicom, entretanto, alerta para o fato de que em 2006, novas regras de fiscalização do mercado provocaram uma "legalização" de parte do álcool que era vendida clandestinamente. Isso deve fazer com que os preços não voltem para os patamares anteriores.

Agencia Estado,

05 de maio de 2006 | 19h28

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