Preço do boi gordo atinge recorde em São Paulo e diminui margem de frigoríficos

Preço do boi gordo atinge recorde em São Paulo e diminui margem de frigoríficos

Segundo consultoria, o brasileiro está consumindo menos carne em função da alta dos preços; a arroba do boi gordo atingiu R$ 135,20, o maior valor da série histórica, iniciada em 1994

REUTERS

22 de outubro de 2014 | 08h30

O preço do boi gordo negociado no Estado de São Paulo atingiu nesta terça-feira, 21, R$ 135,20/arroba em média, o maior valor real da série do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) iniciada em 1994, pressionando as margens de lucro dos frigoríficos no País, o maior exportador de carne bovina do mundo. A alta do preço da carne também já se reflete na inflação ao consumidor. A prévia da inflação oficial (IPCA-15) de outubro mostrou que o preço da carne avançou 2,38%.

"Os aumentos de preços são resultado da menor oferta, devido principalmente à seca, que vem prejudicando as condições das pastagens e, consequentemente, a engorda dos animais ao longo do ano", disse o Cepea em nota.

O indicador Esalq/BM&FBovespa, que apura os preços à vista e serve de referência para o mercado, tem quebrado recordes nominais (sem considerar a inflação) frequentemente nas últimas semanas, mas o valor registrado nesta terça-feira é o maior deflacionado.Até então, o recorde real do indicador havia sido verificado em novembro de 2010, de R$ 134,94/arroba.

A carne bovina (carcaça casada, com osso) negociada no atacado da Grande São Paulo também está valorizada, embora o consumo interno mais lento esteja resultando em repasses de preços proporcionalmente menores que os aumentos da cotação da arroba, segundo especialistas. O preço médio desta terça-feira, de R$ 8,21/kg, só está abaixo da média verificada em novembro de 2010, de R$ 8,60/kg (recorde real), afirmou o Cepea.

Margens menores. Com a alta da arroba e a dificuldade de repassar os custos recordes, a margem de lucro dos frigoríficos caiu para 10,1%, ao menor nível desde março de 2011, apontou relatório da Scot Consultoria.

O indicador Equivalente Scot Carcaça - que considera a diferença entre a receita obtida pelo frigorífico com a venda de carne com osso, couro, sebo, miúdos, subprodutos e derivados, em relação ao preço pago pela arroba - caiu dez pontos percentuais ante o nível registrado em agosto, disse a Scot.A média histórica do indicador, levantado desde 2007, é de 15,8%.

Segundo a Scot, a cotação do boi gordo subiu 16,5% desde o início do ano, com a seca afetando a recuperação das pastagens e consequentemente a engorda dos animais criados em pasto - o sistema de produção predominante no Brasil."Boa parte desta valorização ocorreu de agosto para cá, com a retração expressiva da oferta de boiadas de pasto", afirmou a Scot.

De acordo com a consultoria, "há dificuldade na aquisição de bovinos e este cenário tem guiado mais os preços do boi gordo do que o consumo de carne bovina".A Scot ressaltou que o brasileiro está consumindo menos carne em função da alta de preços do produto.E, com isso, de agosto para cá o mercado atacadista "tem patinado", com os frigoríficos conseguindo repassar apenas 1,6% de alta.

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