Preço do botijão de gás pode subir 23% este ano

O botijão de gás poderá subir mais 23% este ano, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás). De acordo com o diretor da entidade, Lauro Cotta, a cotação internacional do produto tende a crescer até o fim do ano, em função do inverno no hemisfério Norte. "Mantida a política de preços da Petrobrás, com dólar a R$ 3,20, o gás vai subir muito até o fim do ano", afirmou o executivo.A estatal já poderia ter reajustado o preço do produto este mês, segundo cálculo da consultora Fabiana Fantoni, da Tendências. Sob forte impacto da desvalorização do real, o quilo do GLP, convertido para moeda nacional, subiu 8% no mercado externo. O Sindigás concorda e projeta uma alta de 7% no início de agosto. A Petrobrás tem mantido reajustes mensais para o gás de botijão. Fabiana acredita, porém, que a empresa vai esperar a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para o próximo dia 6, para definir novos reajustes. Até o final da tarde de hoje, a empresa não havia se manifestado sobre o assunto.O Sindigás propôs duas medidas para a redução do preço do botijão para o consumidor em até 15%. Uma delas seria a retirada do custo do frete na formação de preço dos 70% do volume consumido que são produzidos no Brasil. Além disso, propõe Cotta, a Petrobrás poderia adotar uma fórmula de reajustes com média semestral de câmbio, o que reduziria o impacto da volatilidade do câmbio no preço final do produto.A Petrobrás informou que seu preço está alinhado com o mercado e que ?não reconhece a legitimidade do Sindigás para fazer tal proposta, alegadamente no interesse comum, quando de uma forma clara se esforça em preservar sua margem de distribuição e revenda que representa 50% no preço final do GLP?.Para a Federação dos Revendedores de GLP (Fergás), porém, o principal culpado pela alta dos preços é o segmento de distribuição. A entidade propõe o fim da exclusividade de bandeira - cada revendedor só pode vender botijões de um fornecedor -, da verticalização e da concentração no segmento. Segundo a Fergás, cerca de 95% do mercado é atendido por apenas seis empresas.GasolinaSegundo cálculos de especialistas, a Petrobrás já poderia realizar novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel. Até anteontem, a cotação da gasolina no mercado internacional, convertida para reais, teria subido 16,6% nos Estados Unidos, de acordo com um executivo de uma trading que presta serviços para a estatal. Antes do último aumento, em 30 de junho, o litro da gasolina estava custando R$ 0,5615 e, um mês depois, esse valor subiu para R$ 0,6549. No caso do diesel, hove alta de 16,29% desde o último reajuste.A alta no preço dos produtos deveu-se ao aumento da cotação no mercado externo e à desvalorização do real frente ao dólar, diz a fonte. Na avaliação da consultora Fabiana Fantoni, da Tendências, a estatal poderia utilizar apenas o movimento do mercado externo para justificar novos reajustes, se considerar que o câmbio elevado não se manterá.Sem acompanhar o mercado externo, o preço da gasolina no Brasil já está cerca de 29% inferior à cotação norte-americana, usada como parâmetro pela estatal. Em relatório divulgado ontem, o analista Luiz Paulo Foggetti, da Fator Dória Atherino, avalia que a discussão sobre preços causa impacto na percepção de risco político da estatal. Além disso, diz, o controle de preços prejudicará os investimentos estrangeiros no setor.

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