Preço do combustível vai aumentar, diz ministro

O ministro de Minas e Energia, José Jorge, admitiu hoje que haverá um aumento no preço dos combustíveis, mas que o porcentual e o dia ainda serão comunicados ao presidente Fernando Henrique Cardoso. ?A idéia do presidente não é bloquear o aumento, mas que sejam revistas as contas?, disse o ministro, referindo-se ao episódio da última sexta-feira, quando o presidente suspendeu o aumento de 2,2%, anunciado pela Petrobrás.O ministro ressaltou que desde 1º de janeiro não existe mais o controle dos preços dos combustíveis pelo governo. ?Na realidade, o preço agora é livre e varia de acordo com o preço no mercado internacional e com o valor do dólar em relação ao real?, afirmou. ?Isso não deveria passar nem pelo governo?.Segundo Jorge, nem ele, nem o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, que tinham conhecimento do aumento desde o dia 8 de fevereiro, comunicaram fato ao presidente por considerar que era uma ?decisão técnica que não tinha nada político?.O ministro lembrou que, com a liberação do mercado no início deste ano, a Petrobras decidiu reduzir em 25% o preço dos combustíveis para as refinarias, mas que a partir daí houve o aumento do preço no mercado internacional e da cotação do dólar em relação ao real, exigindo um novo reajuste. ?Passou a ser uma operação comercial e a Petrobrás vai ter a concorrência de outros operadores?, observou o ministro.Segundo ele, sempre que houver variação no preço do combustível no mercado internacional e na cotação do dólar haverá reflexo, para mais ou para menos, no preço do mercado interno. ?A oferta e a demanda é que vão determinar o preço. O combustível passa a ser como um outro produto qualquer e não mais controlado pelo governo?. Para equilibrar o mercado, há possibilidade de importação por outras empresas.A decisão do presidente foi tomada, segundo uma fonte do Palácio do Planalto, em razão do desconforto causado por um aumento antes de se alcançar a redução média de 20% no preço do combustível, anunciada pelo próprio Fernando Henrique Cardoso em dezembro passado. Durante todo o mês de janeiro os ministérios da Fazenda, Minas e Energia e da Justiça procuraram elementos que forçassem a queda dos preços até os níveis anunciados e chegaram a comunicar que em fevereiro haveria uma redução ainda maior dos preços. O anúncio da Petrobrás da última sexta-feira, frustraria essa expectativa.O ministro explicou que se chegou ao porcentual de aumento de 2,2% foi motivada por ?uma questão do processo de comercialização?. ?Havia uma proposta da Petrobrás para que se desse, a partir da quinta-feira, um aumento no preço da gasolina, mas não havia um valor?, disse José Jorge. ?Existiam diversas hipóteses e nós terminamos optando por algo em torno de 2,2%, referindo-se a ele e ao presidente da Petrobrás, Francisco Gros.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.