Dida Sampaio
Dida Sampaio

'Preço do descuido das contas públicas é pago pelo trabalhador', diz Temer

Presidente afirmou que, nesse contexto de crise fiscal, a confiança dos investidores e dos consumidores "ruiu", a inflação subiu, o risco Brasil disparou

Igor Gadelha e Carla Araújo, Broadcast

21 Novembro 2016 | 10h49

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira, 21, durante a abertura da primeira reunião do Conselhão de seu governo, no Palácio do Planalto, que para que a economia brasileira possa retomar o crescimento é preciso antes vencer a recessão. Segundo ele, somente após vencer essas etapas, será possível retomar o ciclo de retomada do nível do emprego, o qual ele reconheceu ser o dado "mais dramático" do governo hoje. 

"Antes do crescimento é preciso vencer a recessão. Só após essa tarefa poderemos começar a crescer e, então, retomar o emprego. São fase inafastáveis", afirmou. Para o presidente, o governo federal partiu de "diagnósticos precisos" para começar essa retomada. O primeiro deles foi reconhecer que "nossa crise é de natureza fiscal". "Por muito tempo o governo gastou mais do que podia", disse.

Temer afirmou que, nesse contexto de crise fiscal, a confiança dos investidores e dos consumidores "ruiu", a inflação subiu, o risco Brasil disparou. Na avaliação dele, o preço do descuido das contas públicas é pago atualmente pelo trabalhador. "Este descuido é pago pelo trabalhador, que sente os efeitos da irresponsabilidade fiscal no bolso, na fila de emprego", afirmou. 

O presidente disse ainda que o crescimento só será retomado se o governo substituir o "ilusionismo pela lucidez". Para isso, afirmou, o governo está estimulando o diálogo franco e aberto. "É nesse espírito que buscamos empreender reformas que não podemos adiar", afirmou, citando a PEC que estabelece um teto para os gastos públicos como uma das principais reformas.

 O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o Brasil precisa crescer de forma sustentável. "Um dos maiores problemas é que, de tempos em tempos, temos uma crise. Temos que eliminar um problema que está presente em toda essa trajetória, que é o crescimento insustentável da despesa", disse.

Meirelles disse que o governo hoje enfrenta a questão fiscal com transparência e de forma objetiva. "O primeiro desafio quando assumimos foi localizar contas não pagas registradas no orçamento. Hoje está tudo transparente", afirmou em sua fala.

Previsões. O empresário Abílio Diniz afirmou durante o Conselhão que as previsões para o desempenho da economia brasileira são muito ruins e que não imagina que o País crescerá em 2017. "A previsão é muito ruim. Não podemos imaginar que vamos chegar a 2017 com crescimento", disse ele, um dos maiores acionistas do grupo BRF.

Diniz defendeu a realização de reformas estruturantes no País, citando em especial a necessidade de destravar investimentos em infraestrutura e de unificar as alíquotas do ICMS, com o fim da guerra fiscal entre os Estados. Segundo ele, não será possível mais "fazer crescimento" com base no consumo, pois Estado e famílias estão endividadas. "Não há investimento e Estado não tem condição de investir", disse. 

O presidente do Itaú-Unibanco, Roberto Setubal, afirmou que um crescimento econômico brasileiro acima de 2% ao ano só será possível se três reformas forem realizadas: a trabalhista, a das regras de intermediação financeira e a política.

Setubal afirmou que a reforma trabalhista é essencial para que o País possa retomar sua capacidade de gerar empregos. Segundo ele, não existe hoje no Brasil uma empresa capaz de cumprir todos os detalhes formais e, se não há, é porque "há algo de errado". Ele afirmou que o trabalhador hoje está acuado e o passivo trabalhista cresce a cada ano. 

Saúde e Educação.  O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a questão sobre o gasto mínimo em saúde e educação no âmbito da regra do teto de gastos precisa ser "melhor entendida e melhor comunicada". Segundo o ministro, a correção do piso para essas áreas tem como objetivo preservar gastos e investimentos em termos reais.

"O piso é, de partida, superior ao que está em vigor hoje. O piso garante despesa e investimento mínimo em saúde e educação", disse Meirelles durante a 45ª Reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o "Conselhão".

Além disso, o ministro rebateu críticas de que a inflação - que corrige o limite de despesas (ou o piso, no caso de saúde e educação) pela regra do teto de gastos - está em queda, supostamente prejudicando os orçamentos. "Inflação não deve cair sempre, ela deve se estabilizar ao redor da meta", disse.

 

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