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Preço do dólar está claramente esticado, afirma diretor do BC

Para o diretor de Política Monetária da instituição, Aldo Mendes, nível atual do câmbio está 'muito além ou acima' do que seria explicado pelos fundamentos econômicos do País; nesta quinta-feira, o dólar fechou cotado a R$ 3,536

Célia Froufe, Victor Martins , O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 16h39

BRASÍLIA - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, afirmou ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que, para a instituição, o nível atual de câmbio está “muito além ou acima” do que seria explicado pelos fundamentos econômicos do Brasil.

Nesta quinta-feira, o dólar fechou cotado a R$ 3,536, o que representa uma alta de 1,35%. “Mesmo considerando o delicado o momento político do País, o preço do dólar está claramente esticado”, afirmou. Na máxima do dia, o dólar alcançou R$ 3,5680.

Para o diretor, comprar a moeda nesses níveis pode representar risco potencial de perda no médio prazo. “Entendo que os agentes estão agindo aparentemente com pouca racionalidade”, observou. 

Pressão cambial. O mês de julho foi de forte pressão para o real. Em meio às disputas entre o Planalto e o Congresso, às mudanças nas metas fiscais pelo governo e a ameaça de perda do grau de investimento do País, o real despencou. 

Em um levantamento feito pelo Broadcast, com base em 47 divisas negociadas à vista mostra que, em julho, o dólar subiu 10,09% ante o real, o que coloca a moeda na terceira posição de perdas no mês. No ranking do ano, a alta acumulada do dólar ante o real está em 28,57%.

Com o dólar no patamar de R$ 3,50, bancos estão revendo projeções para a moeda americana. O departamento econômico do Credit Suisse, chefiado pelo economista Nilson Teixeira, elevou a projeção para o câmbio de R$ 3,40 por dólar em 2015 para R$ 3,60. E, para 2016, o banco revisou para cima o valor do dólar de R$ 3,60 para R$ 4,00. 

Além da deterioração do cenário interno, o banco destacou que os fatores que influenciaram a depreciação da moeda americana foram o movimento de apreciação do dólar ante a maior parte das moedas, a redução do preço das commodities no mercado internacional, e a reversão da posição de swaps cambiais (operações que funcionam como venda de dólares) pelo Banco Central.

Para 2016, o Santander está projetando o dólar em R$ 3,60. O Banco Itaú também está revisando a cotação esperada para o dólar no fim deste ano. Antes do início do processo de revisão, o banco trabalhava com a projeção de um dólar a R$ 3,20.

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