Preço do feijão deve cair em 180 dias, afirma Stephanes

Segundo o ministro, resposta só não será mais rápida pois produção do grão, no inverno, depende da irrigação

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

03 de julho de 2008 | 14h10

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse nesta quinta-feira, 3, que pode haver uma queda nos preços do feijão em até 180 dias. Segundo ele, os preços podem recuar porque a produção deve aumentar devido às medidas de estímulo a produção anunciadas ontem em Curitiba. A principal medida foi a correção de 65% no preço mínimo de garantia. De acordo com ele, a resposta só não será mais rápida porque o sistema de produção de feijão no inverno, depende da irrigação e não há grande quantidade de pivôs no País.   Veja também: Entenda a crise dos alimentos      Sobre o arroz, ele avaliou que houve uma estabilização de preços nas últimas semanas. Stephanes explicou que o cereal é muito consumido no mundo, mas que o produto não é comercializado entre os países. O ministro chegou no início da tarde ao Museu Nacional da República, onde está sendo anunciado o Programa Mais Alimentos, que é o plano de safra da agricultura familiar para 2008/09.   Stephanes lembrou que a inflação é um fenômeno mundial, mas que não é decorrente apenas da área agrícola. "A inflação é decorrente do aumento de preços de outras matérias-primas, incluindo minerais e petróleo. O grande vilão da inflação é o petróleo, que encarece os insumos e o preço do frete", disse. Ele lembrou que a inflação vem atingindo todos os países, mas que o impacto é menor no Brasil. "A resposta para esta inflação é o aumento da produção agrícola", disse ele.     Plano da Safra   O ministro também rebateu algumas das críticas ao Plano da Safra da agricultura empresarial, que foi anunciado na quarta-feira em Curitiba. "O plano não foi tímido", afirmou. O ministro disse que as medidas anunciadas na última quarta, entre elas a liberação de R$ 65 bilhões para custeio, comercialização e investimentos na safra que será plantada a partir de setembro, precisam ser olhadas do ponto de vista estratégico de médio e longo prazo.   A idéia do governo, segundo o ministro, é acabar com o lançamento anual do Plano de Safra e adotar medidas que vigorem por cinco anos. Esta estratégia permitiria ao produtor se organizar melhor para produzir. "Uma série de medidas estruturantes têm sido tomadas. Na hora que a agricultura estiver estruturada e com todas as linhas definidas não precisará mais de plano anual", afirmou.   A oferta de recursos para o seguro rural, a criação de um fundo de catástrofe, a renegociação das dívidas dos agricultores e o PAC da Embrapa foram listadas pelo ministro como medidas estruturantes. Ele lembrou ainda que até o final do ano, o governo pretende lançar um plano para o segmento de adubos. Ainda segundo ele, a meta do Plano de Safra da agricultura familiar é alocar R$ 25 bilhões até 2010, montante que poderá ser incrementado se houver necessidade. "Se for necessário, mais recursos estarão à disposição", disse Stephanes.   Exportação   O ministro descartou a possibilidade de restringir as exportações agrícolas para evitar a alta de preços dos alimentos no mercado interno. "Qualquer medida artificial que se adote, como a Argentina adotou e o México tentou adotar, acaba trazendo prejuízo de médio e longo prazo. O Brasil já fez isso no passado e não deu certo", disse Stephanes. Ele lembrou ainda que o aumento da produção agrícola beneficia diretamente os produtores que terão uma renda maior.

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