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Preço do gás boliviano subirá 5% até outubro

O preço do gás boliviano vai subir cerca de 5% no início de outubro. A informação foi dada nesta terça-feira pelo diretor de gás e energia da Petrobras, Ildo Sauer, que frisou que o reajuste refere-se à revisão trimestral de preços de acordo com as cotações internacionais do petróleo, prevista em contrato, e nada tem a ver com as negociações extra-contratuais abertas pelos bolivianos. Segundo Sauer a estatal estuda indexar também os preços do gás nacional às cotações externas.O valor do reajuste deve ser fechado no final do mês e depende da evolução das cotações internacionais no período. O diretor da Petrobras informou, porém, que segundo as previsões feitas pela empresa, o aumento deve ficar em torno dos 5%. O valor refere-se apenas ao preço do gás, sem contar o transporte do produto (que representa 30% do preço final) e, por isso, deve representar um ajuste menor para as distribuidoras.O repasse ao consumidor final depende das legislações estaduais, que regem as concessões para a distribuição de gás. Em São Paulo, por exemplo, as três concessionárias têm data de reajuste entre dezembro e janeiro. No último trimestre, o preço do gás boliviano subiu 11%.Em palestra na Rio Oil & Gás, Sauer informou que a Petrobras pretende utilizar fórmula de reajustes semelhante à do gás boliviano para o gás produzido no Brasil, hoje ajustado segundo negociação direta com as distribuidoras. "A fórmula ainda não foi definida e ainda não falamos em valores, mas a idéia é separar o custo do transporte do custo da molécula", afirmou. Este último, diz, será reajustado de acordo com a variação de uma cesta de cotações de combustíveis. Ou seja, acompanhará mais de perto as cotações internacionais.NordesteA empresa já negocia os novos termos com distribuidoras da região Nordeste, que estão sem contratos, e espera assinar novos documentos até o início de 2007. A empresa vai propor três tipos de contrato, que poderão ser assinados simultaneamente, dependendo do interesse da distribuidora. O primeiro regula um volume fixo de entregas. O segundo, uma parcela que poderá ser suspensa pela estatal quando esta tiver problemas de abastecimento. O último, por sua vez, foi batizado de preferencial e vai regular volumes entregues em períodos específicos, de acordo com a necessidade das distribuidoras. Este contemplará o gás natural liquefeito (GNL), que começa a ser importado a partir de 2009.Sauer não informou os novos preços do gás nacional, mas sinalizou em sua apresentação que os valores atuais estão baixos. "Precisamos equilibrar os preços, para remunerar os altos investimentos previstos em produção e ampliação da rede de gasodutos", afirmou. Segundo ele, o preço atual equivale a cerca de 50% da cotação do óleo combustível, principal concorrente do gás natural. "Produzir gás custa o mesmo que produzir petróleo, portanto o gás tem que custar como petróleo e não como água, como querem alguns", afirmou.FornecimentoNo evento, as empresas britânicas BG e BP se apresentaram como possíveis fornecedoras de GNL à Petrobras. As duas empresas informaram ter posicionamento importante no setor. "Temos interesse em trazer para o Brasil. Estamos avaliando a proposta da Petrobrás", disse o presidente da BG no País, Luiz Costamillan. A estatal estima encomendar até 20 milhões de metros cúbicos por dia a partir de 2009, para entregas no Ceará e no Rio. Sauer frisou, porém, que as importações só serão feitas se muitas térmicas precisarem operar simultaneamente. Mesmo assim, a empresa vai encomendar dois navios regaseificadores de gás, com o objetivo de garantir a segurança do abastecimento nacional.NegociaçõesO presidente da Petrobras, Sérgio Gabrieli, confirmou nesta terça-feira que está indo à Bolívia na sexta-feira para retomar as negociações com o governo boliviano em torno dos preços do preços do gás natural. "Estamos indo, normalmente, como temos feito o tempo todo, desde que foi feito o decreto em maio deste ano", disse ele, referindo-se ao decreto do presidente Evo Morales que nacionalizou o setor de gás na Bolívia. Ele evitou antecipar o que será discutido. "Eu não vou discutir as propostas da empresa pela imprensa; vou discutir na mesa de negociações", disse ele, reiterando que estará lá na sexta-feira.Gabrielli participará das negociações junto com o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau. O objetivo go governo brasileiro será retomar as negociações dos três grupos de trabalho criados no dia 10 de maio, como resultado de uma reunião de cúpula realizada na ocasião que ocorreu poucos dias após a edição do decreto de Morales que nacionalizou o setor.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2006 | 20h14

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