Preço do gás pode cair em abril, mas logo será revisto

O preço do gás boliviano deve ser reduzido no início de abril, segundo a fórmula que baliza o contrato de importações do país vizinho. O novo preço, no entanto, não deve durar por muito tempo, dizem observadores próximos, uma vez que Brasil e Bolívia finalizam os termos do acordo firmado no mês passado, em Brasília, segundo o qual as frações nobres do gás passam a ser remuneradas de acordo com as cotações internacionais.O porcentual de redução ainda não foi definido - depende da variação da cotação do petróleo até o final deste mês. O preço do gás boliviano é reajustado de três em três meses, a partir de uma fórmula que considera as cotações de três tipos de óleo combustível no mercado internacional. Se confirmada, será a segunda redução consecutiva do preço do gás boliviano, já que em janeiro houve queda de 3,75%.Atualmente, o gás importado do Brasil custa em torno de US$ 4,20 por milhão de BTU (unidade de medida do poder calorífico de combustíveis). A este valor, cobrado na fronteira entre os dois países, soma-se uma taxa pelo transporte do produto em território brasileiro até os pontos de entrega às distribuidoras.Nova fórmula mudará novamente preçoO mercado espera ainda a definição da nova fórmula de reajuste prevista no acordo de Brasília para calcular quanto passará a custar o gás importado. Em fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ceder aos apelos do presidente Evo Morales que, desde sua posse, reclamava de vender ao Brasil gás natural a um preço abaixo do mercado internacional.Os dois governos, então, decidiram remunerar de forma diferente as diversas frações que compõem o gás enviado ao mercado brasileiro. O metano, conhecido como gás seco e usado por indústrias e termelétricas, continua seguindo a fórmula inicial. Mas frações de propano e butano, usadas para a produção de gás de cozinha, passam a acompanhar as cotações internacionais dos produtos.A nova fórmula ainda não foi detalhada, o que dificulta qualquer projeção, diz uma fonte. Cálculos do mercado indicam que propano e butano custam, no exterior, quase do dobro do preço pago pelo Brasil pelo gás da Bolívia. Não se sabe, porém, qual o porcentual do gás que seguirá a nova fórmula nem quando a nova regra entra em vigor. De certo, por enquanto, sabe-se apenas que a aplicação da nova fórmula provocará um aumento no preço e na arrecadação da Bolívia, estimada em US$ 100 milhões.

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