Preço do ouro dispara em Londres; Bolsas sobem

Possibilidade de aumento nos juros dos EUA mexe com preços; Bovespa sobe, a espera de balanços de bancos

Agência Estado, Efe e Reuters,

14 de janeiro de 2008 | 12h10

O preço da onça de ouro à vista bateu nesta segunda-feira, 14, um novo recorde, ao cotar a US$ 907,09 no mercado de Londres por volta das 7h locais (5h em Brasília), segundo a Bloomberg. O preço do ouro para entrega imediata subiu esta manhã 1,18% e superou o recorde anterior, de US$ 897,00, registrado na sexta-feira. O aumento do preço do ouro começou na semana passada, após a afirmação do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, que afirmou que a taxa de juros nos Estados Unidos pode subir. A taxa está atualmente em 4,25%. O ouro e a prata também estão subindo desde o começo do ano devido, entre outras causas, à desvalorização do dólar em relação ao euro, ao alto preço do petróleo e às tensões políticas mundiais. Além disso, há muitas pessoas investindo em metais preciosos como um refúgio diante das perspectivas de retrocesso nas bolsas mundiais no primeiro semestre. Segundo os analistas, o preço do ouro continuará subindo nos próximos meses. Bolsas No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo abriu em alta nesta segunda, mas deve operar com volatilidade ao longo desta semana, marcada pela divulgação dos balanços de bancos no Estados Unidos. Às 11h39, o principal índice da Bolsa subia 0,66%, aos 62.350 pontos.  "Os preços das ações têm se sustentado ainda com a percepção de que o banco central americano poderá mitigar a apreensão com uma recessão nos EUA e esta semana de dados e balanços será crucial para avaliar se a atual expectativa de política de flexibilização monetária nos EUA será suficiente", disse um operador. Os índices futuros de Wall Street exibem fôlego esta manhã, calçando a expectativa de que o BC americano pode antecipar a reunião marcada para 30 de janeiro e anunciar um corte emergencial dos juros norte-americanos hoje. Às 11h05, o S&P 500 futuro subia 0,67% e o Nasdaq 100 futuro, 1,22%. O dólar tem nova rodada de perdas ante o euro e o iene, o que ajuda a sustentar os preços das commodities em alta. Petróleo No mercado de petróleo, os temores de que o Irã corte as exportações do produto para os EUA elevam os preços. As preocupações com o desaquecimento da economia norte-americana, e o conseqüente impacto na demanda por petróleo, também pesam. Às 11h12 (de Brasília), o barril WTI para fevereiro subia 1,07%, para US$ 93,68. Em Londres, o Brent avançava 1,28%, para US$ 92,24. As inquietações no Oriente Médio reapareceram neste final de semana, depois de comentários feitos pelo presidente dos EUA, George W. Bush. Ele sugeriu que o Irã ameaça a segurança global. As declarações de Bush causaram mal estar e renovaram as tensões relativas aos fluxos de petróleo no Oriente Médio.  "Estamos (os EUA) fortalecendo nosso compromisso de longo prazo com a segurança com nossos amigos do Golfo e agrupando amigos ao redor do mundo para confrontarmos este perigo, antes que seja tarde demais", afirmou o presidente em discurso nos Emirados Árabes Unidos.  "O tom da retórica entre os EUA e o Irã continua altamente confrontador", disseram analistas do Barclays Capital. "Acreditamos que o Irã continuará sendo um fator de apoio aos preços do petróleo no curso de 2008", completaram.  Na sexta-feira, o petróleo WTI fechou em baixa na Nymex (-1,09%, em US$ 92,69), apesar da explosão em um navio tanque na Nigéria. De todo modo, analistas entendem que a violência na Nigéria continuará crescendo e piorará no curto prazo.  Além das questões geopolíticas, os investidores também acompanham a desvalorização do dólar ante o euro e aguardam a divulgação do CPI e do PPI nos EUA, bem como as próximas ações do Federal Reserve. As especulações de recessão nos EUA geram temores de queda na demanda por petróleo na principal economia do planeta.

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