Preço do petróleo cai com temores de recessão nos EUA

Preço do barril do petróleo fechou em queda de 2,49% para US$ 86,99 o barril

Agência Estado,

23 de janeiro de 2008 | 18h12

Depois de bater os US$ 100 no início do ano, as cotações internacionais do petróleo vêm sentindo o impacto da crise financeira global e atingiram, ontem, a menor cotação em três meses. Na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o petróleo para março caiu US$ 2,21 nessa quarta-feira, fechando o dia a US$ 86,99. Para analistas entrevistados pelo Estado, o movimento comprova que as cotações do início do ano não eram sustentáveis e pode sinalizar uma nova tendência de quedas para patamares abaixo dos US$ 80.  Desde o primeiro dia útil de 2008, quando bateu pela primeira vez os US$ 100 por barril, a cotação do petróleo e Nova York já acumula queda de 13%. A expectativa de desaceleração na economia global e o consumo abaixo do esperado durante o inverno no hemisfério norte são apontados por analistas como razões para a redução.  Esta semana, o Departamento de Energia dos Estados Unidos divulga novos dados sobre estoques de petróleo, que devem ter subido 1,8 milhão de barris, segundo analistas ouvidos pela Dow Jones Newswire.  Quando o recorde de preços foi atingido, em meio a conflitos políticos na África e no Casaquistão, analistas alertaram para a insustentabilidade do processo de alta, uma vez que não havia mudanças significativas no cenário de oferta e demanda com relação ao ano anterior, quando o petróleo teve uma cotação média de US$ 74 por barril.   Preço mais baixo  No Brasil, especialistas consultados pelo estado trabalham com preços entre US$ 70 e US$ 75 para este ano. "Acredito que a cotação média de 2008 fique igual ou um pouco inferior à do ano passado", diz o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).   "O preço de US$ 100 por barril estava muito exagerado", comenta uma analista de instituição financeira, que projeta um preço de equilíbrio de US$ 70 no atual cenário de oferta e demanda. Acima disso, as cotações passariam a refletir outro tipo de preocupação, como crises geopolíticas ou os humores do mercado financeiro.  "O mercado (de petróleo) se tornou muito sensível a qualquer movimento nas bolsas", opina Linda Rafield, analista sênior da Platts, braço de pesquisa em energia da McGraw-Hill Cos. Nesse sentido, Pires lembra que não houve fator estrutural que justificasse nem a disparada das cotações rumo aos US$ 100 nem a queda atual.  Analistas concordam, porém, que nenhuma projeção feita hoje sobreviverá ao desenrolar da crise norte-americana. "Teremos que ver quão estimulante será nossa política econômica", comenta Linda.  O corte de juros promovido pelo Federal Reserve, o Banco Central Americano nesta terça-feira, foi considerado insuficiente para evitar a recessão econômica na maior economia mundial, mantendo o clima de incertezas no mercado financeiro e, consequentemente, nas negociações de commodities. Em Londres, o petróleo Brent para março caiu US$ 1,72, fechando o dia a US$ 86,73.

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