Preço do petróleo cairá se Fed elevar juros, diz Opep

Segundo a organização, especuladores financeiros deixariam a commodity em busca de ativos alternativos

Patrícia Fortunato, da Agência Estado,

30 de junho de 2008 | 13h39

Uma alta de juro nos EUA reduziria os preços do petróleo, pois especuladores financeiros deixariam a commodity em busca de ativos alternativos, afirmou o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep),Salem el-Badri, em evento promovido pela agência Dow Jones. E o cartel não deve chiar se os preços recuarem para níveis que reflitam os fundamentos da commodity - reconhecidamente para abaixo de US$ 100,00 por barril.   Veja também:  Preço do petróleo em alta  Petróleo bate recorde com queda do dólar e tensões na Nigéria Reservas no Brasil vão demorar a produzir, dizem Shell e Repsol   Após atingir novo recorde intraday de US$ 143,67 na Nymex, o petróleo virou e passou a cair nesta segunda-feira. Por volta das 12h40, o barril para agosto declinava US$ 0,77 (-0,54%), a US$ 139,44 na Nymex eletrônica. Demanda menor pelo produto e uma melhora do dólar ante o euro, nesta segunda-feira, foram apontadas como razões para a virada do petróleo, de acordo com a agência Dow Jones.   Durante o primeiro Dow Jones Energy Expert, evento que reuniu banqueiros, investidores e analistas na semana passada, el-Badri disse que não estava preocupado com uma repentina deflação nos atuais preços do petróleo, que está em patamares jamais vistos devido a um fluxo de recursos que vem de instituições financeiras, hedge funds, fundos de pensão e investidores do varejo.   O dólar enfraquecido é apontado como motivo para que o petróleo esteja acima de US$ 140,00 por barril - hoje, a commodity já bateu novo recorde ao atingir US$ 143,67 na New York Mercantile Exchange (Nymex). Na semana passada, o Federal Reserve manteve os juros em 2% nos EUA e não deu sinais claros de quando poderá elevar a taxa.   Se o BC norte-americano optar por ampliar os juros, "as pessoas sairão (do petróleo) e investirão em outras coisas. Tenho certeza de que os preços cairão", disse o secretário-geral da Opep.   "Não preferimos petróleo a US$ 137,00 hoje e a US$ 10,00 amanhã. Se custa US$ 80,00, US$ 90,00, US$ 110,00 - seja qual preço for -, o preço deve refletir os fundamentos da relação fornecimento/demanda", disse el-Badri quando questionado se estava preocupado com a ampla gama de investidores que está no petróleo atualmente. "Tenho certeza de que sairão gradualmente. Isto não é um problema para nós", completou.   el-Badri disse ter encontrado aliados, entre executivos-chefes de petrolíferas que participaram de encontro na Arábia Saudita, para sua visão de que dinheiro especulativo é o principal responsável pelos preços recordes do petróleo. "Estava em Jeddah e o executivo-chefe da Shell disse que não há desabastecimento, bem como fizeram os CEOs da Chevron e da ExxonMobil no mesmo encontro", afirmou.   Todas as companhias, exceto a BP, acreditam que não falta petróleo no mercado, segundo el-Badri. Só o executivo-chefe da BP, Tony Hayward, e o secretário de energia dos EUA, Samuel Bodman, listam fundamentos, e não especulação, como razão para a escalada dos preços.   Ele também disse que analistas de bancos como o Goldman Sachs inflam ainda mais as cotações. "Quando o Goldman diz que vê várias embarcações indo para o leste, em vez de para o oeste, e que por essa razão o preço subirá para US$ 150,00, vocês levam isso em consideração. O que quer que você escreva afeta o cidadão, afeta os preços do petróleo", declarou aos participantes do evento. As informações são da Dow Jones.

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