Preço do petróleo chega aos US$ 100 pela primeira vez

Valor recorde decorre de motivos geopolíticos e de temores de escassez durante o inverno nos EUA

O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2008 | 00h00

O preço do petróleo atingiu ontem, pela primeira vez, a barreira dos US$ 100 por barril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). Segundo analistas, a alta foi provocada por motivos geopolíticos e temores de escassez durante o inverno norte-americano.A cotação cedeu no final do pregão e fechou em US$ 99,62, alta de 3,77%. Em Londres, o petróleo Brent também bateu recorde histórico, alcançando os US$ 97,74 por barril. "Alcançamos finalmente a barreira dos US$ 100 e aí ficaremos enquanto houver desequilíbrio entre a oferta e a demanda", comentou Bart Melek, analista do BMO Capital Markets. Analistas brasileiros, porém, ainda acreditam em queda das cotações ao final do inverno no Hemisfério Norte, caso as tensões geopolíticas, como a crise política no Paquistão e o conflito étnico no Quênia, arrefeçam.A consultoria Tendências, por exemplo, trabalha com cotação média entre US$ 75 e US$ 80 em 2008 - no ano passado, o valor situou-se em torno dos US$ 72 por barril. "A princípio, não esperamos que essa alta perdure por muito tempo. Uma queda depende de questões geopolíticas e da economia norte-americana", afirmou o analista Walter Vitto. "O patamar atual é fruto de fatores conjunturais", concorda Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).Por isso, os especialistas não acreditam em alta nos preços da gasolina e do diesel no País. "O preço interno dos combustíveis depende também do câmbio, que está ajudando. A defasagem está dentro do que a Petrobrás costuma trabalhar", analisa Vitto. A estatal costuma repassar com maior freqüência apenas os preços de combustíveis menos populares, como óleo combustível e querosene de aviação. Gasolina e diesel não sobem desde setembro de 2005. Na semana passada, a Petrobrás anunciou um aumento no preço do gás liquefeito de petróleo (GLP) para uso industrial e comercial. A alta acompanha a disparada do petróleo, mas Pires lembra que a empresa tem também o interesse em reduzir a diferença entre os preços do GLP e do gás natural, seu concorrente direto. "O gás natural está subindo muito e poderia haver grande migração para o GLP, criando problemas de abastecimento", explica.Há apenas cinco anos, os preços do petróleo cru oscilavam entre US$ 22 e US$ 28 por barril, dentro de uma banda definida pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mas a invasão norte-americana ao Iraque iniciou um processo de disparada das cotações. Pires lembra ainda que o surgimento da China como grande consumidor do produto contribuiu para apertar ainda mais a relação entre oferta e demanda. Analistas dizem ainda que o mercado de petróleo de longo prazo tornou-se um investimento muito rentável em momentos de queda dos mercados imobiliários e de bolsas de valores. Cada vez mais o petróleo serve de refúgio para os investidores que buscam proteção contra a queda do dólar.BOLÍVIAA disparada das cotações do petróleo nos últimos meses terá impacto sobre o consumidor de gás natural. Segundo o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, o preço do gás importado pelo Brasil subiu 16,6% no dia 1º de janeiro. Trata-se da revisão trimestral de preços prevista em contrato e, segundo disse Villegas à rádio estatal Patria Nueva, o gás natural subirá de US$ 4,20 para US$ 4,90 por milhão de BTU.Os repasses ao consumidor final dependem da legislação de cada Estado, uma vez que as concessões para distribuição do combustível têm diferentes datas e fórmulas de reajuste. A Petrobrás também vem promovendo reajustes nos preços do gás nacional. NICOLA PAMPLONA, COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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