Preço do petróleo deve oscilair mais no futuro

A consultoria Economist Intelligence Unit (EIU) afirmou nesta terça-feira que os preços do petróleo deverão ficar mais oscilantes (voláteis) nos próximos dois anos, e que haverá pouco espaço para uma pressão baixista sobre o custo da commodity. Por isso, segundo ela, o valor do produto continuará elevado no restante de 2006, em torno dos US$ 70 por barril, declinando ligeiramente para US$ 66 por barril em 2007. A consultoria britânica manteve sua previsão de que o aperto na relação entra a oferta e demanda mundial de petróleo começará a ceder nos próximos meses, mas está mais pessimista em relação a rapidez de processo e o quão eficiente ele será para aliviar os preços da commodity. Ela observou que entre os produtores que não integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como o Brasil e Sudão, muitos projetos petrolíferos que eram esperados para entrar em operação neste ano e em 2007 estão sofrendo atrasos. Penalidades Enquanto isso, os crescentes custos dos projetos de produção penalizam as empresas petrolíferas. Além disso, a recuperação da tomada dos trabalhos nos Estados Unidos após a temporada de furacões do ano passado está mais lenta que o esperado, com mais de 340 mil barris diários de petróleo fora do mercado. Diante desse quadro, o crescimento da produção dos países que não são membros da Opep deverá ficar em torno de 2% neste ano, ante os 3,4% previstos anteriormente. "Isso implica que o mundo vai ter que depender mais nos produtores da Opep para satisfazer suas necessidades", disse.Apesar da forte alta dos preços, a EIU acredita que o consumo de petróleo aumentará 1,9% neste ano, mais do que no ano passado, quando foi de 1,3%. Esse aumento na demanda continua sendo alimentado principalmente pela China e outros países em desenvolvimento."Nesse ambiente de incerteza na oferta e crescente demanda, que ocorre num momento de capacidade ociosa global insuficiente, o impacto sobre os preços nos últimos meses tem sido altista", disse. "Em tais condições, os riscos geopolíticos exercem uma influência importante ao adicionar um substancial prêmio ao preço do petróleo." Segundo a consultoria, o principal risco geopolítico neste momento é a tensão em torno do programa nuclear iraniano. Emergentes A EIU prevê que a economia mundial deverá crescer robustos 5% neste ano, mas alerta que os riscos para a estabilidade financeira estão crescendo, principalmente nos mercados emergentes. "A aversão ao risco inchou e alguns dos mercados mais excessivamente comprados tem sido alvo de pressão, principalmente o da Turquia", disse a consultoria. "Esses mercados têm sido beneficiários de fluxos de capitais estrangeiros substanciais nos últimos anos, pois os investidores, desesperados por retornos mais elevados, compraram seus ativos domésticos, em alguns casos ignorando grandes desequilíbrios externos ou fiscais." A consultoria avalia que a volatilidade nos mercados emergentes vai continuar, principalmente enquanto os principais bancos centrais do mundo continuarem a reduzir a liquidez excessiva dos mercados por meio do aumento das taxas de juros.

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