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Preço do petróleo dificulta pré-sal

Presidente da Petrobrás admite que terá de reduzir os custos de produção para tornar grandes projetos viáveis

TATIANA FREITAS, ANDRÉ MAGNABOSCO E KELLY LIMA, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, admitiu ontem que a empresa terá de reduzir os custos de produção para viabilizar grandes projetos do pré-sal. O tombo do preço do petróleo, que ontem chegou a US$ 40,81 o barril - a menor cotação em quatro anos -, aumentou os riscos de exploração das reservas descobertas em águas ultraprofundas na Bacia de Santos. Os custos do Teste de Longa Duração (TLD) e do projeto piloto do campo de Tupi são inferiores a US$ 40 por barril, informou o executivo. Mas, ressaltou que esse valor terá de ser ainda menor. A principal preocupação da Petrobrás é o desenvolvimento de estudos para tornar viável o transporte da produção do pré-sal de Santos, distante 250 quilômetros do continente. "Vamos ter de desenvolver novas tecnologias a partir de 2013 e 2014. Qual será o custo, ainda não sei." O nível de incertezas sobre o pré-sal põe em dúvida até mesmo a viabilidade da construção de gasodutos na região. O atual custo para a exploração do pré-sal foi estimado com base na experiência dos campos de pós-sal da Bacia de Campos e a estatal terá de finalizar o teste em Tupi para traçar um modelo mais adequado às características dos novos reservatórios. Segundo Gabrielli, a realização do teste em Tupi - o TLD se estende pelo período de um ano - é viável mesmo ao preço atual do petróleo. "Mas se eu precisar disso para 300 projetos, aí eu começo a ter problema. Terei de montar um novo tipo de produção para otimizar o volume necessário para a exploração de todo o pré-sal", admitiu. "Talvez tenhamos de construir uma unidade de liquefação flutuante", observou Gabrielli. O executivo explicou que será necessário finalizar o TLD em Tupi e o projeto-piloto para traçar um novo modelo exploratório. Os testes começam em março de 2009 e o início do projeto-piloto, em 2010. PREÇOPara analistas, a expressiva queda no preço do petróleo deverá se estender pelo primeiro trimestre de 2009, podendo cair abaixo dos US$ 30. Mas não deverá causar a suspensão de investimentos no pré-sal. "Hoje trabalhamos com o preço de US$ 35 (como parâmetro para investimentos), mas precisamos de outra projeção de longo prazo", disse Gabrielli. "Não há como parar a produção. A companhia vai continuar produzindo mesmo que o barril chegue a US$ 1. Se esses valores se prolongam por muito tempo, aí sim a estatal será obrigada a repensar os projetos, porque seu caixa será insuficiente", diz o professor Edmar de Almeida, especialista em energia no Instituto de Economia da UFRJ.

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