Preço do petróleo será crucial para emergentes em 2007

A trajetória dos preços do petróleo, que declinaram cerca de 35% ao longo dos últimos seis meses, será um dos principais fatores que determinarão as perspectivas dos países emergentes nos próximos meses. Além de ancorar os preços de outras commodities - que em muito casos também caíram nos últimos tempos - o petróleo é uma das principais fontes de entrada de recursos nas balanças comerciais de países como a Rússia, Venezuela e México. Por outro lado, o barateamento do petróleo pode beneficiar os países importadores, inclusive os ricos, provendo um estímulo extra para uma economia mundial em fase de desaceleração. "O patamar dos preços do petróleo será claramente importante para os mercados emergentes em 2007", disse o chefe de pesquisa de países emergentes do HSBC, Philip Poole. "Preços mais baratos terão um impacto positivo e contínuo sobre a inflação e, dependendo se o país é exportador ou importador, poderão ocorrer conseqüências importantes para as performances fiscais e em conta corrente desses países." O analista observou que a alta dos preços do petróleo nos últimos anos reduziu os superávits em conta corrente na Ásia e aumentou em países como a Rússia, Venezuela e Nigéria. "Preços menores vão reverter esse efeito".Segundo Poole, os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) estão dando sinais de divisão em torno da estratégia para combater a queda nos preços. "A Opep não parece estar mais cantando no mesmo ritmo", disse. "Disciplina e obediência dentro do cartel foi um dos pilares que sustentaram os preços elevados e para que a estabilidade retorne, esses fatores terão que ser recuperados." México e RússiaMaarten-Jan Bakkum, estrategista do ABN-Amro Asset Management, observou que o preço médio de exportação de petróleo do México caiu abaixo do nível previsto no orçamento do país para 2007. "Após dois anos de elevado faturamento com petróleo, que excedeu os US$ 10 bilhões e investimentos públicos acima do previsto, o México pode estar entrando num ambiente fiscal mais difícil", disse Bakkum. "Se os preços do petróleo caírem ainda mais, serão necessários cortes nos gastos para se prevenir uma deterioração nas contas fiscais."No caso da Rússia, o analista avalia que os ganhos com as exportações de petróleo têm mantido entrada de fluxos em moeda estrangeira elevada, alimentando a liquidez bancária e o crescimento do crédito. "Mas com o preço do petróleo atualmente 20% abaixo da média de 2006, poderemos ter que começar a prever uma situação de liquidez doméstica menos abundante", disse Bakkum. "Como a Rússia terá eleições parlamentares neste ano e presidenciais em 2008, não devemos esperar que as autoridades permitam uma taxa de crescimento muito menor." Isso, segundo ele, deverá resultar em superávits fiscais menores nos próximos trimestres. Aliviando impacto dos juros nos EUAPara os analistas, uma avaliação crucial neste momento é medir o efeito do petróleo mais barato sobre os Estados Unidos, onde os mercados parecem ter abandonado a aposta de que o Federal Reserve começará a reduzir os juros nos próximos meses. Um estudo do banco Goldman Sachs mostra que a recente queda dos preços do petróleo mais do que contrabalançou o impacto da alta na curva dos juros no mercado norte-americano. "Uma queda de 10% nos preços do petróleo equivale ao impacto de uma alta de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros ao longo da curva", afirmaram Dominic Wilson e David Heacock, estrategistas do banco de investimentos. Desde o início de dezembro, observaram, a curva dos juros subiu em 0,25 ponto percentual enquanto o preço da commodity caiu mais de 30%. "Isso sugere que o balanço entre esses dois fatores é mais favorável ao crescimento econômico do que anteriormente´, disseram. "E embora as expectativas inflacionárias não tenham ainda declinado, a queda dos preços do petróleo pode reduzir o risco de que o mercado vai se estressar caso a inflação de curto prazo se mostre um pouco mais problemática."

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