Preço do petróleo só deve cair em agosto

O preço do petróleo só deve começar a recuar no final de agosto, com o término do verão americano, segundo especialistas ouvidos pelo Estado, mesmo depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ter indicado o interesse em ratificar o aumento suas cotas de produção anunciado no mês passado. "Os relatórios de estoques dos Estados Unidos mostraram uma queda maior do que o esperado e só depois de agosto vai dar para saber como serão recompostos os estoques", apontou o analista de petróleo da Global Invest, Paulo Rossetti. Segundo ele, mesmo com a sinalização positiva da Opep, que divulgou relatório prevendo alta no consumo mundial de combustíveis - o que cria a expectativa de um aumento da produção - o mercado está preocupado com o consumo americano e com a situação da petroleira russa Yukos. "A Rússia é o maior exportador de petróleo fora da Opep e qualquer má notícia lá assusta o mercado", concordou o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). Rossetti avalia que, já no final de agosto, o preço do petróleo começará a ceder, até atingir entre US$ 30 e US$ 32 por barril no fim do ano. Até o mês que vem, no entanto, a cotação internacional deve oscilar entre US$ 37 e US$ 41 por barril. Pires é menos otimista e acredita que as cotações não devem atingir níveis inferiores a US$ 35, por causa do "fator medo", que envolve riscos de atentados e de problemas políticos como o que ocorre na Rússia. Preços no BrasilA Petrobrás não costuma falar sobre o assunto. Em entrevista na semana passada, o diretor-financeiro da companhia, Sérgio Gabrielli, repetiu o discurso ensaiado para responder a esta questão: A companhia continuava acompanhando as cotações no mercado internacional e decidiria por novos reajustes caso o cenário apontasse para um novo patamar de preços. Quando promoveu o último aumento, em 15 de junho, o presidente da estatal, José Eduardo Dutra, foi evasivo ao falar do nível considerado para os novos preços. "Na nossa opinião, foi caracterizado um novo patamar, pois, mesmo depois do aumento de cotas da Opep, o petróleo ficou acima dos US$ 35", disse ele, sem especificar qual foi o valor utilizado para definir os reajustes. Para Pires, do CBIE, o preço da gasolina hoje está defasado em 20% e o do diesel, de 10%. No caso de gás de cozinha, a defasagem chega a 30%. CotaçãoOntem as cotações do barril do petróleo no mercado futuro subiram. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), os contratos para setembro fecharam em US$ 40,58 o barril, alta de 0,35%. Na Bolsa Internacional de Petróleo (IPE), em Londres, os contratos de petróleo brent para setembro fecharam em US$ 37,16, avanço de 0,41%.

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