Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Preço do petróleo tende a subir com inverno no Hemisfério Norte, diz ministro

Segundo Bento Albuquerque, de Minas e Energia, cotação internacional do petróleo, que afeta os reajustes dos combustíveis no Brasil, já subiu 60% só este ano

Marlla Sabino , O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2021 | 12h24
Atualizado 09 de novembro de 2021 | 13h53

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta terça-feira, 9, que o preço do petróleo, que já subiu cerca de 60% neste ano, tende a avançar ainda um pouco mais com a chegada do inverno no Hemisfério Norte - o petróleo e a variação do dólar afetam os preços dos combustíveis no Brasil.

"Preços dos combustíveis. O que ocorreu? Por que houve aumento? Principalmente pela alta do petróleo, 60% só em 2021, e com tendência, com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, de subir um pouco mais", declarou Albuquerque.  

 

O preço médio da gasolina nos postos do País subiu 2,25% na semana passada, chegando a R$ 6,710 o litro, de acordo com levantamento divulgado na segunda-feira, 8, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O valor máximo foi de R$ 7,999, no Rio Grande do Sul.

A escalada de preços é reflexo do reajuste no valor da gasolina e do diesel feito pela Petrobras, em vigor desde 26 de outubro.

Por conta do reajuste, o preço do litro do diesel subiu 2,45% nos postos brasileiros na semana passada, chegando a uma média de R$ 5,339. O preço máximo foi de R$ 6,700 o litro em Cruzeiro do Sul, no Acre.

O valor médio do litro do etanol, por sua vez, subiu 4,5% na semana, para R$ 5,294. O preço máximo foi de R$ 7,899 o litro em Bagé, no Rio Grande do Sul.

O preço do botijão de gás (GLP), por sua vez, se manteve estável e fechou a semana em R$ 102,48.

Albuquerque disse que é preciso “ter uma preocupação agora muito grande com o desabastecimento, porque a importação do combustível leva no mínimo 90 dias". "Hoje nós temos uma parcela do mercado, cerca de 20% do mercado de combustíveis, que não é da Petrobras, então mudar qualquer coisa tem que ser uma mudança com bastante critério, com bastante transparência e governança para que a gente possa atingir os objetivos”, disse, lembrando que até 2016 a estatal importava todo o combustível consumido no País.

Em outubro, a Petrobras informou que recebeu, para o mês de novembro, pedidos muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção. Em comunicado, a empresa negou o risco de desabastecimento e afirmou estar maximizando a produção. A sinalização acendeu alerta no mercado e distribuidoras.

Petrobras

Albuquerque negou que haja qualquer tipo de interferência na Petrobras. Durante audiência pública em comissões do Senado, o ministro afirmou que existem diversos dispositivos legais que impedem isso, entre elas a lei das estatais, de 2016, que determina que não pode haver interferências nas empresas públicas.

“Não pode, não há e nunca houve interferência na Petrobras ou no mercado de combustível onde quer que seja”, afirmou Albuquerque. A declaração do ministro acontece após diversos comentários de Jair Bolsonaro em relação à estatal. No último sábado, 6, o presidente afirmou que procura uma maneira de “ficar livre da Petrobras”. A apoiadores, ele reafirmou a intenção de “fatiar” ou até “privatizar” a empresa.

O ministro destacou que há discussões no Congresso e no governo sobre o aumento dos preços de combustível. Em relação ao Executivo, ele citou que alguns tributos federais já foram reduzidos e que há outros em análise, mas que é necessário que haja compensação. 

Entre as alternativas, Albuquerque também citou a criação de um “colchão tributário”, que possa permitir que as variações do preço do petróleo e do combustível possam ser compensadas de algumas forma, e de uma “reserva estabilizadora de preços”, que seria uma reserva de capital para quando houvesse uma volatilidade muito grande.  

Crise hídrica

Segundo o ministro, não há indicações de que o País tenha problemas em termos de racionamento ou até mesmo apagão de energia por conta da grave crise hídrica. Ele indicou que as perspectivas para os próximos meses são positivas devido ao início do período de chuvas.

“As medidas adotadas permitiram que o País permanecesse com a segurança energética e com fornecimento de energia para todos os consumidores”, afirmou.

O ministro disse também que as medidas emergenciais estabelecidas pelo governo também visavam garantir a segurança do fornecimento de energia em 2022. Segundo ele, o País deve chegar em condições mais tranquilas no próximo período seco. A expectativa é que o Brasil chegue em maio com 42,6% da capacidade de armazenamento dos reservatórios.

"Se nós tivermos a mesma escassez hídrica, que foi a pior nos últimos 90 anos, nesse período úmido que começou agora, nós vamos chegar com 42,6% em maio de 2022, o que nos permite a governança com certa tranquilidade em relação ao ano de 2022", disse." E se as condições forem iguais a média histórica nós vamos chegar com 51,1%. Ou seja, em condições bem mais tranquilas."

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