Preço do viva-voz vai de R$ 120 a R$ 300

Mesmo com o aval provisório das autoridades de trânsito, o viva-voz está muito longe de ser unanimidade entre os usuários de celulares. O equipamento, que permite ao motorista falar ao telefone sem manusear o aparelho, é considerado caro até mesmo pelos lojistas e nem sequer consta da lista de produtos oferecidos nos semáforos pelos ambulantes. "É raro encontrar alguém disposto a gastar R$ 50,00 no kit", alegou ontem um dos vendedores que circulam pela Avenida Brasil, nos Jardins, zona sul.O comportamento dos motoristas evidencia a falta de popularidade do aparelho. Boa parte deles continua ignorando a lei e falando ao celular da forma convencional. Outros recorrerm aos fones de ouvido, também proibidos. Difícil mesmo é flagrar alguém no trânsito ´falando sozinho´, num indício de que está atendendo a uma ligação.Nas casas especializadas, o preço do kit viva-voz varia de R$ 120,00 a R$ 289,00, valor que chega a superar o de alguns modelos de celulares. "Só compra quem precisa muito. Pessoas que precisam do telefone como instrumento de trabalho", disse Jorge Rodrigues, funcionário da loja Celular Mix. De acordo com ele, são vendidos em média 15 aparelhos viva-voz por mês, ante os aproximadamente 400 telefones negociados no mesmo período.As vendas também são baixas na loja Ensitel. Segundo o vendedor Renato Crippa, em média é vendido apenas um kit por semana. Ainda assim, ele elogia a eficiência do equipamento. "É a melhor forma de evitar as barbeiragens no trânsito. Pode reparar, quem fala ao celular sem viva-voz geralmente ocupa duas faixas e reduz a velocidade", afirmou.Foi para evitar esses transtornos que o microempresário Wilson Calvário aderiu ao viva-voz, apesar do preço salgado. "O celular tornou-se indispensável à vida moderna. Dependo dele para trabalhar e admito que sem o viva-voz acabava me distraindo quando tinha de atender a uma chamada no meio do trânsito", afirmou. Para ele, o veto ao equipamento anunciado pelas autoridades de trânsito foi um exagero. "É o mesmo que conversar com o passageiro, não atrapalha nada. Além do mais, é impossível fiscalizar. Ainda mais com essa onda de insulfim."O administrador de empresas Sérgio Herman tem argumentos semelhantes. "Em São Paulo, gasta-se muito tempo no trânsito. Pelo menos o celular permite que esse período seja usado com coisas úteis, como o trabalho", disse. "Concordo que usar uma mão para segurar o aparelho é arriscado. Mas com o viva-voz esse problema inexiste. Em vez de pensar em proibição, o governo deveria investir em campanhas de conscientização."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.