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Preço dos alimentos deve elevar a inflação deste ano à meta de 4,5%

É a primeira vez, em quatro anos, que o custo de comidas e bebidas tem variação acima do índice inflacionário

Márcia De Chiara,

26 de setembro de 2007 | 00h18

A disparada dos preços dos alimentos contaminou a confiança do consumidor e deve elevar a inflação deste ano para algo muito próximo da meta de 4,5% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Isso, apesar de as cotações de alguns produtos agropecuários já terem começado a perder o fôlego. O movimento de desaceleração ocorre com o leite e deve ser sentido no preço da carne bovina a partir do mês que vem.  "A meta de 4,5% para este ano já foi", diz o diretor da RC Consultores, Fabio Silveira. A consultoria ampliou de 4,2% para 4,5% a projeção do IPCA. Para o economista chefe da corretora Concórdia, Elson Teles, a tendência dos preços da alimentação ainda não está clara. "Houve a desaceleração no leite, mas a alta dos grãos pode pressionar os índices mais para frente", observa.   Um estudo da LCA Consultores mostra que os preços dos alimentos neste ano estão subindo acima da inflação. É a primeira vez que isso ocorre nos últimos quatro anos. Desde 2003, as cotações dos alimentos variaram abaixo da inflação geral.   Em 12 meses até agosto, as comidas e as bebidas aumentaram 9,3%, mais que o dobro da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período, que foi de 4,2%, observa Braulio Borges, economista da LCA Consultores e responsável pelo estudo. De janeiro a agosto, os alimentos subiram 6,73% para uma inflação geral de 2,8%.  Só o preço do tomate aumentou 61,5% em 12 meses fechados até agosto, segundo dados do IPCA. Leite e derivados também ficaram mais caros no período e subiram 33,7%, seguidos pelas aves (frango e ovos)com alta de 26,1%, pelo feijão carioca (25%) e pelos pães (7,5%).  Em 2003, o perfil da inflação era outro. Para um IPCA de 9,3%, os alimentos e as bebidas aumentaram 7,5% naquele ano. Em 2004, o IPCA subiu 7,6% e os alimentos 3,9%. Em 2005, a inflação fechou o ano em 5,7% e a comida teve alta de 2%. No ano passado, o IPCA subiu 3,1% e os alimentos foram majorados em 1,2%, aponta o estudo.  "Além da folga nos preços dos alimentos, nos últimos anos os reajustes salariais também foram mais polpudos", diz Borges. Em 2006, o reajuste real do salário mínimo atingiu 13%. Neste ano, caiu para menos 5%. Foi exatamente a combinação entre preços em queda e salários maiores, que fez sobrar mais dinheiro no bolso do consumidor para ele ir às compras de produtos menos essenciais e impulsionar as vendas do varejo.  Essa inversão no perfil da inflação já tira o fôlego dos volumes consumidos pela população de menor renda, constatam supermercados e o varejo de eletroeletrônicos. Isso ocorre porque os mais pobres gastam uma parcela maior do orçamento com comida que, agora, ficou mais cara.  De janeiro a junho deste ano, os volumes vendidos pelos supermercados aumentaram 3,2% na comparação com igual período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). No primeiro semestre de 2006 , a taxa de crescimento sobre o ano anterior havia sido bem maior, de 5,3%. "As classes C, D e E, de menor renda, são mais sensíveis a preços. Se os preços sobem, eles compram menos produtos", explica o presidente da Abras, Sussumu Honda. Ele observa que as camadas de menor renda têm uma grande importância no varejo e respondem por dois terços do consumo.  Também o peso dos alimentos na cesta de consumo da população mais pobre é significativamente maior. Dados do Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese)revelam que os alimentos respondem por 34,8% dos gastos das famílias com renda média mensal de R$ 377,49. Para as famílias que recebem, em média, R$ 2.792,90, a alimentação representa 22% das despesas.  Honda diz que esse movimento ocorre por causa da alta dos alimentos. Do lado das empresas, no entanto, ele ressalta que é favorável, pois com preços ascendentes, o faturamento cresce, apesar de as quantidades físicas estarem reduzindo o ritmo de vendas.  A perda de fôlego nas quantidades vendidas pelos supermercados nos últimos meses já apareceu nos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), observa Borges, da LCA. A taxa anualizada das quantidades vendidas pelos supermercados que crescia a um ritmo de 10% em maio, caiu para 6% em julho e recuou para 3% em julho. "Foi uma desaceleração muito forte e rápida", diz o economista. Ele observa que faz dois anos que esse ritmo menor de crescimento não ocorria no setor.  As Lojas Insinuante, com 245 pontos-de-vendas no Nordeste, região que concentra a população de baixa renda, detectou a mudança. Até agora, as vendas da companhia aumentaram 10% ante 2006. Mas, segundo o diretor, Rodolfo França Jr, ficou mais difícil nos últimos meses acelerar o ritmo de crescimento doe eletrônicos básicos. A alta dos alimentos tira o fôlego das vendas de outros itens.

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