Preço dos alimentos permanecerá alto, alerta FAO

Jacques Diouf, diretor-geral da Organização, faz apelo por aumento na produção agrícola mundial

Associated Press,

25 de junho de 2008 | 11h38

O chefe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), Jacques Diouf, alertou nesta quarta-feira, 25, que os preços dos alimentos permanecerão altos e fez um apelo para o aumento na produção agrícola.  Veja também:Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos   Segundo ele, os preços permanecerão altos por causa das mudanças climáticas, da crescente demanda por biocombustíveis, baixos estoques de alimentos e maior demanda nos países emergentes, como China, Índia, Indonésia e Brasil, que formam a maior parte da população mundial. Diouf disse que o problema não será resolvido se não houver aumento da produção e pediu aos líderes mundiais, que se encontrarão no próximo mês no Japão, que encarem a questão. "Nossa mensagem é que precisamos investir mais na agricultura," afirmou, acrescentando que outros assuntos que precisam ser discutidos incluem o armazenamento, uso e controle da água potável, além de mais investimentos em rodovias nas regiões rurais para escoar a produção. No curto prazo, é importante providenciar, em regime de emergência, alimentos aos países mais atingidos e tentar salvar o plantio para as próximas safras, ao permitir que os agricultores tenham acesso adequado a sementes, fertilizantes e ração animal, afirmou Diouf. No começo de junho, o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, que será o anfitrião do encontro do G-8 nos dias 7 a 9 de julho, afirmou que a reunião dos sete países mais industrializados e a Rússia terá o foco no aumento da produção agrícola e no acesso a água potável. Os preços dos alimentos subiram no mundo inteiro nas últimos meses, por causa da combinação entre aumentos nos preços do petróleo e combustíveis, demanda crescente, variações extremas no clima, produção crescente de biocombustíveis e especulação no comércio. Tudo isso levou a protestos populares em países da África, da Ásia e da América Central, além de aumentar os temores de que cresçam a subnutrição e a instabilidade econômica. México Na semana passada, a indústria alimentícia do México prometeu ao governo que congelará os preços de mais de 150 itens de alimentos, para ajudar as famílias a fazerem frente aos custos em alta. "É muito difícil ver uma solução estrutural para o problema, exceto através do aumento da produção, o que por sua vez requer um maior investimento na agropecuária," em particular nos países que enfrentam problemas de falta de alimentos, comentou Diouf na cidade austríaca de Innsbruck. Alguns passos nessa direção já foram dados. No início deste mês, líderes mundiais se encontraram na cúpula da FAO em Roma e fizeram um apelo por US$ 11 bilhões para aumentar a produção e alinhar o suprimento de comida à demanda, lembrou Diouf. Segundo ele, agora as discussões precisam definir como o dinheiro será distribuído. Diouf alertou que o problema não está confinado aos países pobres da África, Ásia e América central. "Esses preços terão impacto não apenas nos países pobres e em desenvolvimento, mas terão impacto também nos países desenvolvidos, por causa da inflação." Diouf fez os comentários durante uma conferência com foco no desenvolvimento agrícola e segurança alimentar na Europa e na Ásia Central. O encontro de dois dias também abordará o apoio da FAO aos países europeus e asiáticos afetados pelos preços mais altos dos alimentos, bem como a adaptação regional às mudanças climáticas.  Diouf advertiu que o aumento da produção dos alimentos não pode ocorrer às expensas do meio ambiente. "É por isso que o conceito do aumento sustentado na produção de alimentos é muito fundamental", disse. Ele também se manifestou contra a política de subsídios agrícolas nos países mais industrializados, algo que pode prejudicar a produção agrícola nos países mais pobres. "Vamos garantir o desenho de um sistema que seja justo tanto para os fazendeiros nos países desenvolvidos quanto para os fazendeiros nos países em desenvolvimento", disse.

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