Preço dos combustíveis e da carne pressionaram IGP-M

Os aumentos nos preços dos combustíveis e das carnes bovinas - prejudicadas por surgimento de focos de febre aftosa - impulsionaram a aceleração do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que passou de -0,53% para +0,60% de setembro para outubro. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros, esses dois fatores elevaram a inflação no atacado, cujo Índice de Preços por Atacado (IPA) passou de -0,76% para +0,72% no mesmo período. O IPA é o indicador de maior peso na formação do IGP-M.No caso dos combustíveis, Quadros lembrou que houve reajustes nos preços de gasolina e diesel, em vigor desde 10 de setembro. Além disso, outros combustíveis que não são preços administrados também apresentaram tendência de alta. Com isso, os preços de combustíveis e lubrificantes no atacado passaram de 2,12% para 7% no atacado, de setembro para outubro. "O aumento nos preços dos combustíveis respondeu por metade da aceleração do IPA", disse Quadros.Entre os destaques de alta, estão as elevações de preços em óleo diesel (7,71%); álcool etílico hidratado (9,48%); óleos combustíveis (6,97%) e gasolina (7,03%). "Todos os combustíveis, administrados ou não, derivados de petróleo ou não, estavam em fase de ascensão", disse o economista, explicando que agora a influência dos aumentos dos preços dos combustíveis será decrescente, nas próximas apurações do indicador, visto que esse impacto é sazonal. "É muito importante entender isso: esse 0,60% é um pico", disse.Preço da carneJá os preços dos bovinos no atacado passaram de -3,23% para +3,98% de setembro para outubro, no IGP-M. "Isso não é entressafra, é reflexo dos focos de febre aftosa", afirmou Quadros. De acordo com ele, em um primeiro momento, está ocorrendo um "choque de oferta" de bovinos, nos quais os mercados atingidos pelos focos da doença são praticamente "eliminados" do mercado, o que conduz à menor oferta do produto - e, por conseqüência, eleva os preços.Quadros acredita que essa situação de alta nos preços das carnes no atacado é momentânea e "a médio prazo vai reverter". Isso porque o mercado interno dá sinais de que vai regularizar a oferta em breve, visto que os focos da doença começam a ser combatidos.No caso dos embargos, isso pode não acontecer. As barreiras externas às carnes podem demorar ainda algum tempo para serem suspensas, o que pode conduzir à maior oferta de carnes, a médio prazo, visto que as exportações estão sofrendo obstáculos. Essa possibilidade de maior oferta de carnes no futuro, no mercado interno, pode derrubar os preços do produto.PerspectivasQuadros considerou que há cada vez mais chance de o IGP-M de 2005 ser o menor da história, com taxa abaixo de 2%. Ele reiterou que o aumento de 0,60% no IGP-M de outubro foi um "pico", influenciado basicamente por reajuste nos preços de combustíveis, cujo impacto é passageiro; e por alta nos preços das carnes, que devem apresentar recuo de preços no médio prazo. Segundo o economista, a menor taxa anual do IGP-M atualmente é a de 1998, quando o indicador subiu 1,78% no ano. Atualmente, em 2005, o indicador acumula taxas de 0,81% no ano e de 2,38% em 12 meses até outubro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.