Preço dos imóveis deve se manter, apesar de medidas

Fábio Nogueira, da Brazilian Securities, comenta ações do governo e diz que mutuário será beneficiado

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

23 de outubro de 2008 | 20h43

As medidas anunciadas pelo governo para ajudar as construtoras do País a conseguirem capital de giro para continuar seus projetos não vão afetar os preços dos empreendimentos. A avaliação é do diretor da Brazilian Securities, Fábio Nogueira. Segundo ele, há 20 anos os preços no mercado imobiliário brasileiro são relativamente os mesmos. Isso porque o foco do setor no País não é o investimento. "Aqui você compra para morar, não para investir. Se os preços não foram afetados quando tinha muito dinheiro entrando - com a facilidade do crédito -, não vai afetar agora, que os financiamentos caíram", explicou. Veja também:Conheça outro caso de intervenção do governo em construtorasVeja o que muda com a Medida Provisória 443Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  Para Nogueira, as medidas beneficiam o mutuário, pois visam fortalecer o setor. "Muitas dessas construtoras venderam apartamentos que ainda estão em fase de construção. Se elas conseguirem concluí-los, é melhor", afirmou.  Na quarta-feira, o governo publicou uma medida provisória que autoriza a Caixa Econômica Federal a criar um banco de investimento. A instituição será semelhante ao BNDESPar do BNDES. A "Caixa-Par" poderá socorrer empresas da construção civil com dificuldades de caixa para completar empreendimentos imobiliários já lançados. A Caixa também poderá fazer parcerias com o BNDES, participando em conjunto de alguns empreendimentos. A idéia do governo é injetar de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões no setor para dar capital de giro às empresas, que têm sofrido com a contenção de crédito no mercado. A íntegra das medidas, porém, ainda não foi anunciada. A previsão é de que elas saíssem em evento na quarta, que teria participação do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Coutinho, porém, não compareceu. Medidas preventivas Questionado se as medidas do governo sinalizam que a crise de crédito atingiu a construção civil, Nogueira afirmou que elas são preventivas. "O governo deve estar acompanhando as ações das 20 empresas do setor listadas na Bolsa, que têm caído muito desde o agravamento da crise. Foi por isso que ele tomou a iniciativa. O setor está sendo penalizado de forma injusta, e o governo está tentando equilibrar", disse. Ele ressaltou a importância do setor para o Brasil e disse que faltam incentivos adicionais para a construção. "Tem muitas medidas que podem ser tomadas ainda. O governo não mexeu no compulsório da poupança, por exemplo. Se mexesse, seriam 15% de R$ 250 bilhões que poderiam irrigar o setor", disse. Além disso, ele avalia que o mercado seria beneficiado caso as securitizadoras comprassem mais recebíveis das incorporadoras. Isso significa que essas instituições assumiriam os financiamentos das construtoras e dariam, em troca, o dinheiro que estas receberiam das parcelas dos mutuários. "Se eu puder vender esses recebíveis, pegar esse dinheiro e investir mais, isso aumenta a liquidez. Como o dinheiro é potencialmente mais escasso nesse momento, essa possibilidade ajudaria muito o setor", afirmou.

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