Preço dos imóveis sobe 0,57% e desacelera em fevereiro

Levantamento do FipeZap com 16 cidades aponta variação média menor que em janeiro, quando foi de 0,77%

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2014 | 02h05

O preço do imóvel desacelerou em fevereiro. O levantamento realizado pela FipeZap apurou que o valor do metro quadrado anunciado na internet aumentou 0,57% em fevereiro nas 16 cidades pesquisadas, abaixo dos 0,77% de janeiro. Em 12 meses, a alta acumulada é de 13,1%.

Os números também mostram que em nove cidades houve uma variação de preço abaixo da inflação esperada para o fevereiro. De acordo como Boletim Focus, do Banco Central, as instituições financeiras preveem que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha encerrado o mês passado com alta de 0,63%. Algumas cidades, como Brasília, Porto Alegre, e Curitiba, tiveram queda real no preço. A variação mais alta foi verificada no Rio de Janeiro, com alta de 1,08% (ver mais no quadro).

"Houve uma desaceleração. Os preços crescem, mas o imóvel está ficando mais barato em comparação a outros produtos do mercado", afirma Priscila Ribeiro, pesquisadora da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). "Este ano começou com preços mais comportados."

Na avaliação da pesquisadora da Fipe, o aumento menor dos preços pode ser explicado por um desaquecimento da demanda e até pelo excesso de despesas do brasileiro no início de ano. "Em momento de inflação alta, as pessoas também acabam deslocando a demanda para outros produtos. O que pode estar acontecendo com o mercado imobiliário é que as pessoas podem ter percebido que essa dinâmica de preços acima da inflação pode ser uma coisa insustentável no médio e longo prazos", afirma Priscila.

Desde o fim de 2013, há uma desaceleração nos preços mensais dos imóveis anunciados pelo FipeZap. De acordo com Priscila, boa parte da elevação dos valores ocorreu por causa das obras de infraestrutura, fenômeno que está chegando ao fim. Ou seja, o benefício de uma nova estação do metrô pode ter sido embutido no preço dos imóveis.

"Essa melhoria é incorporada ao preço, mas não para sempre. Os investimentos já foram contabilizados nos preços e agora esse movimento vai se dissipando", explica a pesquisadora.

Ano. Apesar da desaceleração mensal em fevereiro, o avanço dos preços acumulado em 12 meses ainda é expressivo. Em Curitiba, a alta chega a 34,9%, seguida por Vitória (17,1%) e Florianópolis (16,7%). "À medida que as taxas mês a mês vão caindo, a variação em 12 meses também recua. A queda é um pouco mais lenta, porque ainda se tem uma memória de períodos anteriores", afirma Priscila.

Na avaliação da pesquisadora, é difícil prever para onde vão os preços dos imóveis, apesar da desaceleração atual. O crédito está mais facilitado, mesmo com aumento da taxa de juros, existe expansão do prazo de pagamento, e o desemprego continua baixo - a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi de 4,8%, o menor nível da série histórica para o mês.

"A demanda pode ter se deslocado agora, mas não dá para saber se no futuro o orçamento familiar vai estar equilibrado, o que pode provocar um novo aumento da demanda por imóveis", diz Priscila.

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