Preço dos produtos natalinos pode subir até 10%, prevê Abras

Em contrapartida, o gasto com bebidas e frutas importadas deve diminuir em até 20%

Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo,

06 de dezembro de 2007 | 19h46

O consumidor deve desembolsar neste Natal até 10% mais na compra de aves, suínos e panetones em relação a dezembro do ano passado. Em contrapartida, o gasto com bebidas e frutas importadas deve diminuir em até 20%, segundo projeções da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). As duas faces dos preços dos itens da ceia natalina refletem as mudanças que ocorrem hoje na economia. De um lado, a alta das cotações das commodities agrícolas no mercado internacional, como milho, soja e trigo, usadas na engorda do animais e no preparo de produtos panificados. O outro lado é desvalorização do dólar em relação ao real, que torna mais barato os itens importados em moeda nacional. "Os preços do chester e do peru foram negociados neste ano com reajuste de 10%. No caso da carne suína, o aumento foi de 5%", afirma o presidente da Abras, Sussumu Honda. Na sua opinião, esse acréscimo será pouco perceptível para o consumidor, que está com mais dinheiro no bolso por causa da recuperação da renda e do emprego. Além disso, há abundância de crédito, que atenua a percepção da elevação dos preços. Parcelamento Nas próximas semanas, as médias e grandes redes de supermercados devem oferecer a possibilidade de parcelar os alimentos da ceia em duas ou três vezes sem juros no cartão de crédito, informa Honda. Esse cenário favorável deve garantir um crescimento da ordem de 10% nos volumes de alimentos vendidos pelos supermercados e um acréscimo de 15% no faturamento na comparação com 2006, prevê. "Só no início do Plano Real, em 1995, tivemos um Natal tão bom." O ritmo aquecido das vendas dos supermercados até outubro, de 6,2% na comparação com igual período do ano passado, fez a Abras projetar um crescimento real do faturamento, já descontada a inflação, de 6,5% para este ano. No início de 2007, a projeção era de acréscimo de 3,5%. No ano passado, que foi marcado pela deflação dos preços dos alimentos, o faturamento real dos supermercados aumentou apenas 0,5% ante 2005. Na prática Enquanto a Abras projeta queda nos preços dos importados, grandes importadoras de bebidas que vendem esses itens no atacado não acreditam nesse recuo de preços. Bruno Airaghi, diretor de Marketing da Interfood, por exemplo, diz que os preços, em média, estão mantidos na comparação com 2006, apesar da queda do dólar. Ele argumenta que as importações de bebidas foram fechadas seis meses atrás, quando a cotação do dólar era mais alta. Além disso, fabricantes subiram preços em dólar por causa da alta dos custos de produção dos vinhos. Mariano Levy, sócio da Grand Cru, outra grande importadora de bebidas, diz que não é possível dizer que há uma queda generalizada de preços em razão do recuo do câmbio. "Isso ocorreu em algumas linhas de produtos."

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