Preço dos remédios subiu mais que inflação no governo Lula

O preço dos remédios subiu mais do que a inflação em São Paulo desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entre janeiro de 2003 e março de 2007, o Índice do Custo de Vida (ICV) acumulou alta de 28,30%, contra uma elevação de 33,41% no valor dos medicamentos vendidos ao consumidor paulistano.O Dieese fez o levantamento pouco depois do governo federal autorizar, para o final de março, um reajuste nos preços dos remédios. Desde o dia 31 do mês passado, os medicamentos comercializados no País tiveram permissão para um reajuste médio de 1,5%. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabeleceu índices de aumento para três faixas diferenciadas de medicamentos, com altas de 1%, 2,01% e 3,02%, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Dentre os preços de medicamentos apurados pelo Dieese, o destaque de alta ficou por conta dos analgésicos (58,82%), seguidos pelas vitaminas (36,74%), remédios para vias respiratórias (33,85%), antiinflamatórios (33,19%), remédios para o sistema nervoso (32,71%) e antialérgicos (30,04%). Com altas acumuladas abaixo de 30% ficaram: cardiovasculares (29,04%); remédios para diabete (28,77%); ginecológicos (28,76%); anticoncepcionais (27,62%); remédios para vias urinárias (27,45%); dermatológicos (26,20%); gástricos (24,50%); e antibióticos (22,87%).O Dieese ressaltou que os preços dos medicamentos genéricos não foram inseridos no levantamento, por conta da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) utilizada pela instituição, anterior à criação dos genéricos.CâmbioNo estudo, o Dieese questiona também um eventual impacto do preço do dólar no preço dos medicamentos. Segundo o levantamento, o dólar médio anual passou de um valor de R$ 3,07, em 2003, para R$ 2,11 em 2007, o que representou uma queda acumulada de 31,35%.O Dieese salientou que os reajustes nos remédios prejudicam mais as famílias de baixa renda, com renda média de R$ 377,49, que destinam 11,30% de suas despesas para a Saúde, sendo 35,14% deste total para medicamentos e produtos farmacêuticos. Em contrapartida, as famílias com maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90) designam 13,94% dos 16,32% de suas despesas para a compra deste tipo de produto.De acordo com a coordenadora da Pesquisa de Preços do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cornélia Nogueira Porto, um aumento no preço dos remédios traz poucas alternativas para os consumidores com baixa renda, de maneira diferente do que é verificado com outros produtos. "Medicamento é algo difícil de substituir. É diferente de um alimento, como a carne, que, quando fica mais cara, é substituída pelo frango", comentou.

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