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Preço global dos alimentos cai 19% em 2015 e tem o menor valor em uma década

Segundo a Organização das Nações Unidas, 2015 foi o quarto ano seguido de recuo; para o Brasil, a redução no preço tem se traduzido em uma queda importante na entrada de dólares

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2016 | 11h09

GENEBRA - Os preços de alimentos sofrem o quarto ano seguido de quedas, com um profundo impacto para exportadores, e colocando o setor em seu nível mais baixo em dez anos. O alerta é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que, em um levantamento publicado nesta quinta-feira, constata "um abastecimento abundante", contra uma "demanda tímida". 

Apenas em 2015, os preços de alimentos tiveram uma queda de 19,1% em comparação a 2014. Para o Brasil, a redução no preço tem se traduzido em uma queda importante na entrada de dólares. 

O índice que avalia os principais setores da agricultura foi criado pela entidade com sede em Roma. Ao final de dezembro, o indicador estava a 154,1 pontos, distante dos mais de 220 pontos em 2011 e voltando aos padrões anteriores a 2007, quando o índice chegou a 160 pontos. 

Para a FAO, a debilidade da economia mundial é o principal fator para a queda no consumo. Em dezembro, apesar de certos ganhos em óleos vegetais e açúcar, o índice internacional voltou a cair em 1%. 

"Abastecimento abundante diante de uma demanda mundial tímida e a apreciação do dólar são as principais razões para a fraqueza geral dos preços de alimentos em 2015", declarou o economista-chefe da FAO, Abdolreza Abbassian.

Pelo mundo, o impacto tem sido sentido entre os maiores exportadores. Num documento oficial, o Departamento de Agricultura dos EUA estima que a queda no consumo chinês é em parte responsável pela redução dos preços. O mercado chinês passou a ser um dos principais destinos das vendas americanas. Em 2000, os EUA exportavam US$ 1,7 bilhão em alimentos para a China. Ao final de 2015, o valor chegou a US$ 25 bilhões, 17% de todas as vendas americanas.

No Brasil, a balança comercial é testemunha da queda. Em 2015, o País elevou suas vendas em volume em 10%. Mas, diante dos preços, a renda foi 22% inferior a 2014. No caso da soja, as exportações em grãos foram 17% superiores em volume que em 2014. Mesmo assim, a entrada de dólares sofreu uma contração de 10%. 

Segundo a FAO, os índices de preços de óleo vegetal chegaram a aumentar em 2,9 pontos entre novembro e dezembro, para 141,1 pontos diante das "incertezas sobre a colheita no Brasil diante da demanda por óleo de soja no mundo". Ainda assim, o índice continua em seu ponto mais baixo em nove anos, 19% abaixo de 2014. 

No setor de carnes, a queda em receitas para o Brasil foi de 15% no ano passado. De acordo com a FAO, dezembro registrou mais uma queda, de 3,5 pontos em seu índice. "A redução da demanda de importação dos EUA para a carne bovina intensificou a competição em outros mercados", indicou a entidade. 

Outro fator foi o aumento de produção na UE. "Isso causou a queda dos preços tanto no mercado doméstico como nas exportações", indicou a FAO. Como um todo, o índice de preços de carne para 2015 ficou em média em 168 pontos, 29 pontos abaixo de 2014 e em seu ponto mais baixo desde 2010.

Apesar da queda em diversos setores, o segmento do açúcar começou o que a FAO acredita que seja uma leve recuperação, com 207 pontos em dezembro. Ainda assim, o índice está 21% abaixo dos níveis de 2014. 

Para o final de 2015, a alta de apenas 0,6% ocorreu diante de "preocupações sobre os atrasos nas safras nas regiões de produção do Brasil, causado por excesso de chuvas". Uma projeção de safras mais tímidas também na Índia, Tailândia e África do Sul também influenciou.

Cereais. Fora do Brasil, o principal impacto foi gerado com o fim da remoção de taxas de exportação na Argentina para cereais, o que permitiu que um volume importante de grãos entrassem no mercado internacional e gerando uma queda de 1,3% no índice da FAO para dezembro. Trigo e milho sofreram reduções de preço e, ao final de 2015, a taxa estava 15,4% abaixo de 2014.

Já os preços internacionais do leite terminaram o ano em seu ponto mais baixo desde 2009, com uma queda de 28% em comparação a 2014.

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