Preço mínimo da Copene deve baixar

O preço mínimo de venda do controle da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene) deve baixar dos R$ 1,050 bilhão pedidos em dezembro, quando "micou" o leilão da petroquímica, para cerca de R$ 900 milhões. A informação foi dada ao jornal "O Estado de S. Paulo" por um dos executivos envolvidos na venda, que além da Copene inclui as empresas Polialden, Politeno e Propet. O grupo vendedor é formado pelos grupos Mariani, Odebrecht, Suzano, Sumitomo, Itochu e Conepar (um dos ativos do grupo Econômico, sob intervenção do Banco Central). Segundo a fonte, as chances de a companhia ser finalmente vendida em março estão entre 75% e 80%. O Grupo Ultra, que já conta com aval de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá mesmo ser o único candidato à compra. Ontem, o presidente da Dow Química, José Eduardo Senise, confirmou que a empresa não vai participar do leilão, devendo se preparar prioritariamente para assumir no País três fábricas da Union Carbide, que acaba de ter sua fusão com a Dow autorizada pelo Federal Trade Comission (FTC), órgão dos Estados Unidos similar ao Conselho Administrativo de Defesa da Economia (Cade). "Não vamos participar deste leilão porque temos uma missão muito séria, que é a incorporação das fábricas da Carbide no Brasil", explicou Senise ao Estado. Na esperada ausência de disputa para o leilão da Copene - a argentina Perez Companc, que teve uma participação apenas decorativa no leilão de dezembro, nem deverá aparecer desta vez -, os analistas do setor petroquímico afirmam que a diferença entre um novo fracasso ou a efetivação da venda estará basicamente no preço mínimo. "Ou o Banco Central inclui ou mesmo muda algum ativo do bloco que será vendido ou reduz esse preço mínimo", afirma o analista José Francisco Cataldo, da Sudameris Corretora, lembrando que a manutenção do preço mínimo em patamar elevado poderia levar a um novo fracasso da venda. A posição do Grupo Odebrecht, um dos sócios da Copene, será fundamental para a concretização ou não do negócio. Como tem direito de veto, por meio de um acordo assinado com os grupos Mariani e Conepar (por meio do BC), a empresa poderá exercê-lo sob o argumento de que não concorda com o rebaixamento do preço. Somente a Suzano não fez parte do acordo que deu poder de veto à Odebrecht. No emaranhado de participações cruzadas do setor petroquímico, a Odebrecht divide com o grupo Ipiranga o controle da Copesul. A princípio, poderia retirar-se da Bahia, com a venda da Copene, e concentrar sua atuação no Rio Grande do Sul, mas também lá há uma disputa de acionistas que parece ainda longe de uma solução. As apostas de analistas de mercado são de que a concordância da Odebrecht para a venda da Copene por um preço menor poderá se estabelecer em torno de um rearranjo da dívida do grupo no setor petroquímico, avaliada atualmente em quase US$ 2 bilhões, segundo fontes do mercado. As negociações poderiam envolver um apoio do BC ou do BNDES ao grupo.

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