Preço mínimo da Copene deve cair para R$ 900 mi

Um dos executivos envolvidos no processo de venda da Copene disse hoje à Agência Estado que o preço mínimo do leilão da central petroquímica deve cair dos R$ 1,050 bi pedidos em dezembro para algo em torno de R$ 900 mi. Segundo a fonte, as chances de a companhia ser finalmente vendida em março estão entre 75% e 80%. O Grupo Ultra deverá mesmo ser o único candidato à compra. A posição do Grupo Odebrecht, um dos sócios da Copene, será fundamental para a concretização ou não do negócio. Como tem direito de veto, a empresa poderá exercê-lo sob o argumento de que não concorda com o rebaixamento do preço. As apostas de mercado são de que a concordância da Odebrecht poderá se estabelecer em torno de uma renegociação da dívida do grupo no setor petroquímico, hoje de quase US$ 2 bi, segundo fontes do mercado. Preço Mínimo - O analista de investimentos do setor petroquímico da corretora Itaú, Gilberto Pereira de Souza, disse que o sucesso do leilão de venda de controle da Copene vai depender do valor do preço mínimo ou do vinculante. Não foi decidido se o preço será mínimo ou vinculante. No primeiro caso, ofertas inferiores à pedida não serão aceitas. No segundo, os vendedores podem concordar com propostas menores. Em qualquer hipótese, o conhecimento de um preço básico é a principal diferença em relação à tentativa fracassada de venda do pacote de controle em dezembro, quando o preço não foi divulgado. "Esperávamos aumentar a concorrência com aquela estratégia, mas não deu certo", disse o diretor do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas em entrevista ontem. Souza observou que apesar dos esforços governamentais em atrair novos participantes a situação atual é de um único grupo interessa do - o Ultra - que havia oferecido R$ 822 mi para adquirir o controle da Copene. O analista considera o valor "muito bem avaliado". A Norquisa, holding da Copene (central de matérias-primas da Bahia), e os demais ativos operacionais do pólo de Camaçari - Polialden, Politeno e Proppet -, vão novamente ser leiloados em março. A Conepar, Odebrecht e Mariani estão vendendo a participação em bloco na expectativa de que o leilão ocorra até junho. Poder de barganha - Já o grupo Suzano aderiu ao bloco mas deixou claro que se o leilão não ocorrer até 31 de março passará a vender sua participação diretamente para um grupo investidor eventualmente interessado. Isso não interessa aos vendedores que perdem poder de barganha se as negociações com o grupo Ultra forem individuais. O grupo Ultra poderia assim adquirir individualmente as participações e deixar a empresa reticente com papéis sem liquidez. O Banco Central tem interesse em resolver o problema pelo "melhor preço possível". Pereira de Souza observa que o controle da Copene é bastante atraente para o grupo Ultra pois permite ganhos na integração da primeira com a segunda geração petroquímica e as vantagens incluem também fórmulas de planejamento tributário. A Copene também está saindo do fundo do poço em termos de resultados econômico-financeiros, observou o analista. Ele reafirma que o preço será determinante para o sucesso do leilão. "Caso o preço for fixado muito alto o leilão corre o risco de fracassar como o da Banda C da telefonia", disse Pereira de Souza.

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