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Preço no atacado não justifica alta na indústria

Índices oficiais apontam alta menor do dos preços das matérias-primas do que a alegada pelos fabricantes para repassar as pressões de custos

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

Aumentos na casa de 30% dos custos de produção acumulados desde 2008 são a justificativa dos fabricantes de geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupas para reajustar os preços este mês. Os principais custos são matérias-primas como aço e resinas plásticas e a mão de obra. Mas os indicadores de preços no atacado desses insumos não mostram elevações dessa proporção.

De janeiro de 2008 a abril deste ano, os preços no atacado das resinas plásticas acumularam aumento de 11,58%, segundo o Índice de Preços por Atacado (IPA) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No mesmo período, os produtos siderúrgicos subiram 11,84%.

José Drummond, presidente da Whirlpool, que detém as marcas Consul e Brastemp, diz que em dois anos e meio os preços das resinas plásticas, do aço, dos metais, da mão de obra e da energia usada para a fabricação dos eletrodomésticos aumentaram cerca de 30%. "O reajuste de 8% a 9% de preços da indústria para as lojas deveria ser até maior por causa da elevação de custos", diz o executivo. Ele argumenta que a indústria não tem condições de absorver a pressão de custos.

Marcha à ré. A pesquisa da Fundação Instituto de pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que de janeiro de 2008 a abril deste ano os preços dos eletrodomésticos da linha branca deram marcha à ré. Enquanto a inflação geral medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fipe subiu 20,38% no período, o preço da lavadora ao consumidor diminuiu 10,59%, a geladeira ficou 8,99% mais barata e o preço do fogão diminuiu 7,33%.

Já os dados da FGV de preços no atacado, isto é, da indústria para as lojas, revelam uma situação diferente. De acordo com a pesquisa, de janeiro de 2008 até abril deste ano, o preço no atacado das lavadoras subiu 4,40% e fogões e as geladeiras ficaram, em média, 3,02% e 2,86% mais baratas, respectivamente. A queda de preço no atacado foi bem menor que a registrada no varejo em igual período.

Analistas do mercado de eletrodomésticos ressaltam que boa parte da queda de preços no período ocorreu em razão do corte Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) feito pelo governo para atenuar o impacto da queda do consumo e as demissões na indústria provocadas pela crise financeira que eclodiu em setembro de 2008.

Os dados de preços no atacado e ao consumidor mostram que a redução de preços no varejo foi maior proporcionalmente do que a nas indústrias.

 

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