Nick Oxford/Reuters
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Petróleo fecha em queda, pressionado por dólar e expectativas de postura agressiva do BC americano

Barril do óleo tipo brent chegou a cair nesta manhã a US$ 94,50; um dia antes da guerra, em 23 de fevereiro, estava cotado a US$ 96,84

Ilana Cardial, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2022 | 11h53
Atualizado 14 de julho de 2022 | 16h22

Os contratos futuros do petróleo fecharam em baixa nesta quinta-feira, 14, mais uma vez abaixo da marca de US$ 100 por barril. O preço da commodity é pressionado pela força do dólar ante rivais, em meio às expectativas de um aperto monetário agressivo pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) diante da alta inflação americana.

Na Nymex, o barril do petróleo WTI com entrega marcada para agosto caiu 0,54%, para US$ 95,78, enquanto o do Brent para o mês seguinte recuou 0,47%, para US$ 99,10, na ICE.

Durante as negociações, os ativos chegaram a atingir os menores níveis desde 25 de fevereiro, dia seguinte à invasão russa à Ucrânia, quando a commodity disparou. Em março, chegou a bater na casa dos US$ 140 o barril, por conta do temor com o desabastecimento provocado pelo conflito. Nos últimos tempos, no entanto, as cotações vêm caindo com o receio de que uma recessão global, que parece estar a caminho, derrube a demanda pelo produto. O Citi já chegou a prever que a cotação pode cair para a casa dos US$ 65.

A força do dólar ante rivais encarece as commodities para detentores de outras moedas. Mais cedo, o índice DXY, que mede o dólar frente seis rivais, ultrapassou os 109 pontos. Depois do forte avanço da inflação nos Estados Unidos, com salto anual de 9,1% divulgado na quarta, a inflação ao produtor, divulgada nesta quinta, também veio acima das expectativas de analistas para o mês de junho, com avanço anual de 11,3%. O resultado reforçou apostas de altas de 100 pontos-base pelo Fed na reunião deste mês.

Em entrevista coletiva antes da reunião do G20, a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, defendeu que impor um teto aos preços do petróleo da Rússia é um dos "mais poderosos instrumentos" para controlar a escalada inflacionária.

O presidente dos EUA, Joe Biden, dá continuidade a sua visita ao Oriente Médio. Apesar do recente recuo do petróleo, a segurança energética segue em sua agenda. Em relatório, a Oxford Economics diz duvidar que a visita do democrata terá muito efeito sobre o volume de produção da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) ou sobre as conversas nucleares com o Irã.

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