Preço pode mudar exigência de conteúdo nacional, diz agência

Com petróleo barato, investimentos poderão ser restringidos e, assim, crescerá concorrência entre países para atrair recursos; produtores poderão ser forçados a adotar regras mais amigáveis aos estrangeiros, segundo Agência Internacional de Energia

FERNANDO NAKAGAWA, O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2015 | 02h02

ISTAMBUL - O petróleo mais barato deve determinar o enfraquecimento de uma das medidas brasileiras mais criticadas no setor de petróleo e gás: a exigência de conteúdo nacional na exploração no País. A aposta é da Agência Internacional de Energia (AIE). Além do Brasil, outros grandes produtores do combustível usam diferentes gradações da mesma regra, como o México e o Casaquistão.

"Se os preços do petróleo continuarem baixos, os governos dos países produtores ficarão sob pressão para fazer com que suas regras de enquadramento e regulação sejam mais favoráveis aos investidores", cita o relatório sobre as perspectivas do mercado de petróleo e gás divulgado ontem em Paris.

O argumento da AIE é que, com petróleo barato, o volume de investimento disponível poderá ser restringido e, assim, crescerá a concorrência entre países para atrair os recursos. Portanto, produtores poderão ser forçados a adotar regras mais amigáveis aos estrangeiros para atrair o dinheiro.

A situação não é mais a mesma. Após chegar próximo a US$ 150 em 2008, o barril recuou para próximo de US$ 100 nos anos seguintes e caiu drasticamente nos últimos meses e gira atualmente próximo de US$ 50. Essa mudança de patamar fará a diferença para a política de conteúdo nacional, diz a AIE.

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