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Preços agrícolas disparam e renda do produtor pode crescer R$ 5,6 bilhões

Entre algodão, soja, milho, arroz, feijão e trigo, safra 2010/2011 pode chegar a 152 milhões de toneladas, com receita de R$ 83,9 bilhões

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

A disparada dos preços do algodão, da soja e do milho, que começou no segundo semestre, mudou as perspectivas de plantio e renda dos agricultores. Entre algodão, soja, milho, arroz, feijão e trigo, a safra 2010/2011 pode chegar a 152 milhões de toneladas, com uma receita de R$ 83,9 bilhões, apontam os cálculos da RC Consultores. As projeções consideram as novas intenções de plantio e a elevação dos preços das commodities no mercado internacional.

''A renda da agricultura de grãos em 2011deve praticamente voltar para o nível de 2009'', observa o Fabio Silveira, diretor da consultoria. De 2009 para 2010, a receita encolheu R$ 5,7 bilhões em razão da crise e agora pode crescer R$ 5,6 bilhões.

A subida dos preços agrícolas, desencadeada por quebras de safra no Hemisfério Norte, beneficia os produtores que se preparam para semear a nova safra. Mas também traz incerteza para a inflação, especialmente se a estiagem atual se prolongar.

O preço do algodão é recorde no mercado internacional e subiu quase 30% em reais desde julho. No metade deste mês, a cotação da arroba chegou a R$ 70,15, ante R$ 53,95 em julho e R$ 38,22 em setembro de 2009. As cotações do milho e da soja também aumentaram. Desde junho, a saca de milho subiu quase 30% em reais e a cotação da soja teve alta de 15% em igual período.

A quebra na safra de algodão do Paquistão, da China e do Brasil e os baixos rendimentos das lavouras dos Estados Unidos, além do consumo aquecido e dos estoques baixos, explicam a elevação dos preços, diz o analista da Agra FNP, Aedson Grelha.

No caso do milho e da soja, a arrancada das cotações começou com a quebra da safra de trigo da Rússia, que suspendeu as exportações do grão. Como os países da Europa destinam boa parte do produto para ração animal, aumentaram a demanda e os preços da soja e do milho, grãos também usados para esse fim.

Área plantada

O movimento de alta dessas commodities fez os agricultores brasileiros reverem as intenções de plantio. Em Mato Grosso, por exemplo, a expectativa era de redução da área plantada. ''Mas, com reação dos preços , os produtores voltaram atrás e vão repetir os 6,2 milhões de hectares da última safra'', conta o presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Glauber Silveira.

Segundo Grelha, a área plantada com soja deve ter expansão de 2%. A tendência é de redução de 7% da área de milho, apesar da alta dos preços. O analista diz que dois fatores explicam o movimento. A soja tem mais liquidez que o milho, isto é, vira dinheiro mais rapidamente. Além disso, com o risco de estiagem prolongada, resiste mais à seca.

No caso do algodão, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha, calcula que a área plantada cresça 25% e atinja 1,040 milhão de hectares. ''Os preços devem continuar firmes no mercado'', calcula. Diante dos baixos estoques mundiais, as companhias exportadoras e as fiações já compraram metade da safra que ainda não foi plantada, conta Cunha.

''O agricultor está animado com a próxima safra. Na anterior, a produção de soja foi boa, mas os preços não'', lembra o superintendente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá, José Cícero Aderaldo.

Segundo ele, com a subida dos preços, a rentabilidade do produtor nesta safra pode ser maior. ''Mas tudo está para ser escrito'', pondera, fazendo referência ao principal obstáculo de hoje à produção: o clima irregular.

A falta de chuvas já tem reflexos nas vendas de adubos e defensivos. ''As entregas estão mais devagar por causa da estiagem'', conta o diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos, David Roquetti Filho.

No primeiro semestre, as vendas de defensivos caíram 20% em valor. Na análise do diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Eduardo Daher, além do avanço dos genéricos, essa retração ocorre por causa do clima. ''Com essa secura, os produtores adiaram as compras de defensivos, e esse atraso vai resultar num problema logístico'', diz Daher.

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