Preços agropecuários forçam inflação no atacado e varejo

A inflação agropecuária ganhou força no atacado. Os preços dos produtos agrícolas no atacado subiram 2,35% na segunda prévia do IGP-M deste mês, em comparação com a alta de 0,26% apurada na segunda prévia do mesmo índice em junho. A informação foi divulgada nesta quinta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

DANIELA AMORIM, Agencia Estado

20 de julho de 2012 | 13h27

Os preços dos produtos industriais no atacado, por sua vez, tiveram aumento de 1,13% na leitura anunciada hoje, em comparação com a alta de 0,80% na segunda prévia do mês passado.

No âmbito do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 1,03% na segunda prévia de julho, após terem aumentado 0,10% na segunda prévia de junho.

Já os preços dos bens intermediários apresentaram aumento de 1,45% na leitura divulgada hoje, em comparação com a elevação de 1,15% na segunda leitura do mês passado. Os preços das matérias-primas brutas tiveram taxa positiva de 1,93% na segunda prévia de julho, em comparação com a alta de 0,63% na segunda prévia de junho.

Consumidor

Com relação ao varejo, os aumentos dos alimentos e a redução na deflação dos transportes puxaram a taxa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) na segunda prévia do IGP-M de julho. O IPC-M subiu 0,23% no segundo decêndio deste mês, após ter registrado variação de 0,14% no mesmo período de junho.

A taxa do grupo Alimentação passou de 0,55% para 0,88%, enquanto a do grupo Transportes saiu de um recuo de 0,80% para uma queda de 0,46%. Os destaques foram os itens hortaliças e legumes (de 6,83% para 10,96%) e automóvel novo (de -3,88% para -1,51%).

Houve ainda aumento de preços nos grupos Habitação (de 0,11% na segunda prévia de junho para 0,23% na segunda prévia de julho), Educação, Leitura e Recreação (de -0,16% para 0,18%) e Comunicação (de -0,02% para 0,10%), com destaque para os itens eletrodomésticos e equipamentos (de -1,12% para -0,14%), passeios e férias (de -1,69% para -0,10%) e tarifa de telefone residencial (de -0,14% para 0,32%).

Na direção oposta, tiveram redução nas taxas os grupos Vestuário (de 0,51% para -0,29%), Despesas Diversas (de 1,80% para 0,29%) e Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,53% para 0,36%), tendo como principais contribuições os itens roupas (de 0,44% para -0,42%), cigarros (de 4,02% para -0,45%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (de 0,57% para -0,13%).

Construção

As despesas com mão de obra na construção subiram menos, o que levou à desaceleração do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) na segunda prévia de julho, para uma taxa de 0,91%, após ter registrado alta de 1,58% na segunda prévia de junho.

O índice relativo ao custo da mão de obra subiu 1,26% no segundo decêndio deste mês, contra um aumento de 2,81% na mesma leitura do mês passado. Já o índice relativo a materiais, equipamentos e serviços teve variação de 0,54%, após registrar aumento de 0,31%.

Ficaram mais caros na segunda prévia de julho ajudante especializado (1,24%), vergalhões e arames de aço ao carbono (3,77%), servente (1,36%), engenheiro (1,49%) e carpinteiro de esquadria e telhado (1,17%).

Por outro lado, ficaram mais baratos condutores elétricos (-0,62%), produtos de fibrocimento (-0,84%), cimento portland comum (-0,13%), argamassa (-0,09%) e tubos e conexões de ferro e aço (-0,08%).

Produtor

O aumento da soja e o reajuste dos combustíveis foram os principais responsáveis pela aceleração na inflação no atacado na segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de julho. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) passou de 0,65% na segunda prévia de junho para 1,45% na segunda prévia de julho.

No mesmo período, a soja em grão saltou de 2,64% para 11,04%, enquanto o farelo de soja passou de 8,40% para 14,41%. O mesmo movimento ocorreu com os combustíveis: a gasolina passou da estabilidade (0,00%) para 7,83%, enquanto o óleo diesel saiu também de variação zero para 3,94%.

A aceleração na taxa dos bens finais, que avançou de 0,10% para 1,03% no período, teve como maior contribuição o subgrupo combustíveis (de -0,23% para 5,15%). A taxa do grupo bens intermediários, que passou de 1,15% para 1,45%, também teve como destaque o subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção (de 0,41% para 2,48%).

No índice relativo às matérias-primas brutas, que passou de 0,63% para 1,93%, a soja em grão figurou entre os itens que mais contribuíram para a aceleração da taxa. Houve influência ainda do milho em grão (de -3,98% para 1,55%) e de bovinos (de -0,76% para -0,03%).

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