Preços altos vão acelerar investimentos na agricultura

Os preços em alta dos alimentos vãodesencadear investimentos em terras agrícolas, especialmente noLeste Europeu, Brasil e África, onde há abundância de terrasnão cultivadas, disseram nesta quarta-feira delegados de umaconferência sobre investimentos em agricultura, realizada emLondres. Eles afirmaram que a crescente demanda por mantimentos naseconomias emergentes, como a China, onde a população estágastando mais na melhora de sua alimentação, indica que haverámais aumentos no preço da comida. "Estamos vendo uma revolução na alimentação das pessoas emtodo o mundo", disse o vice-chefe de investimentos do fundoSarasin AgriSar, Henry Boucher, na conferência mundial AgriInvest, em Londres. Para ressaltar o impacto da demanda, Murray Wise, doWestchester Group, do Canadá, disse que toda a colheita detrigo da Austrália seria necessária para alimentar galinhas eassim suprir uma demanda adicional hipotética anual de 1,7 ovopor pessoa por semana na China. Gerentes de fundos de hedge, especialistas em privateequity e investidores disseram que a demanda em alta vaiestimular várias formas de investimento em agricultura e tambéma compra de terras. A LONGO PRAZO O gerente de fundos do suíço GAIA Resources Fund, J. CoastSullunger, estimou que a Rússia possui aproximadamente 100milhões de hectares de terras agrícolas não utilizadas, e disseque qualquer investimento em terras cultiváveis deveria ser delongo prazo. O Brasil tem até 100 milhões de hectares de terrasagrícolas não aproveitadas, acrescentou. A África também possuiimensas áreas não exploradas. "O investimento tem de ser de longo prazo porque o ciclo(agrícola) é de longo prazo", disse Sullunger. Alguns delegados expressaram preocupações sobre riscospolíticos de investir em agricultura no leste Europeu e naÁfrica, incluindo o risco de que um país possa ficar tentado anacionalizar as terras agrícolas se o negócio se mostraraltamente lucrativo. "Se você aceitar esses riscos, há grandes oportunidades alongo prazo", disse Brewer.

DAVID BROUGH, REUTERS

02 de julho de 2008 | 13h50

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