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Preços arrefecem, mas inflação terá pressões salariais

Inflação dá sinais de desaceleração, mas no terceiro trimestre importantes categorias vão pressionar por reposição de perdas

Fabio Graner e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Com a desaceleração mensal dos índices de inflação na economia brasileira, movimento que deve ganhar força nos próximos meses com o IPCA girando abaixo de 0,37% ao mês (o que garante meta anualizada de 4,5%), já existe um clima de alívio no ar em Brasília. "O BC saiu do inferno astral que viveu no início do ano", definiu um integrante do governo.

Esse quadro mais claro na economia também pode ser verificado por uma comunicação mais amigável com o mercado financeiro. E também dá algum fôlego para o enfrentamento que será necessário no terceiro trimestre, quando a inflação em 12 meses estará no auge e importantes categorias de trabalhadores estarão negociando reajustes salariais.

Na estratégia de comunicação que já começou tanto no Ministério da Fazenda como no Banco Central, as autoridades econômicas têm ressaltado a importância de não se olhar para a "inflação passada" na hora da negociação dos índices de reajuste salariais.

Apesar de o período coincidir com o "pico" de alta do IPCA em 12 meses, a inflação mensal, por outro lado, estará rodando até abaixo da meta, o que dá bons argumentos para governo e empresários na hora de enfrentar os trabalhadores na mesa de negociação.

De qualquer forma, o governo considera que a partir de agora os números da inflação vão dar razão ao cenário traçado. Há motivos para isso: os violentos choques que vieram desde o fim de 2010 já se dissiparam. E as ações de política monetária já adotadas, como as medidas de contenção de crédito e aperto fiscal, já estão fazendo efeito. Com isso, o IPCA vai se encaminhar em direção à meta ao longo do tempo.

Uma fonte destacou que em abril, não fossem alguns itens específicos, como os combustíveis, a inflação teria ficado em 0,4%, e não em 0,77%. Ou seja, para o governo, o quadro não é de descontrole, ao contrário do que dizem alguns analistas.

Autonomia. O ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional de Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, avalia que a atual política monetária adotada pelo Banco Central é igual à dos Estados Unidos, onde o Federal Reserve (Fed) tem que olhar para a inflação e o emprego (crescimento econômico).

A diferença no Brasil é que, como o BC não tem autonomia concedida em lei, seu objetivo oficial é o de perseguir a meta de inflação definida pelo governo.

"Só com a autonomia de fato, ficará mais claro as responsabilidades do BC", analisa Freitas. Ele destaca que, sem autonomia, a autoridade monetária tem que seguir as diretrizes estabelecidas pela presidente.

Para Thadeu de Freitas, não é ruim o BC olhar para o crescimento, mas a autoridade monetária não pode perder o foco e a atenção na inflação. Há momentos importantes, disse ele, em que o BC tem que sacrificar o crescimento para não prejudicar o controle da inflação. "Não é ruim. O que não pode é deixar de olhar para a inflação", disse.

Para Freitas, o BC empurrou o prazo de convergência da inflação ao não subir fortemente a taxa de juros, mas teve sorte com a desaceleração da inflação agora, que lhe dá tempo.

"A queda dos alimentos e das commodities deram uma trégua", destacou o economista. Ele disse, porém, que é preciso esperar para saber se o movimento é duradouro. No governo, embora o modelo do Fed agrade a muitos integrantes da equipe econômica, fontes argumentam que o BC brasileiro não fez nada demais ao acomodar na banda de tolerância o choque de inflação de commodities e esticar o prazo de convergência. "O BC segue com seu mandato de perseguir a meta de 4,5% de inflação", disse uma fonte.

Sacrifício. Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a inflação de 4,5% se equilibra com crescimento de 3% em 2011 e 2012, mas ele discorda desse cenário.

"A impressão é de que o governo coloca pesos iguais para as duas variáveis (inflação e crescimento), o que não é correto. A inflação teria de ser sempre a prioridade e isso significaria sacrificar o crescimento por dois anos", afirmou.

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